Não sei. Imagino. Tentas focar no que fazes. Mal consegues. Tentas falar como se nada fosse. Mal consegues. Tentas comer. Mal consegues. Tentas não pensar. Mal consegues. Tentas disfarçar. Mal consegues. Tentas ter paciência. Mal consegues. Tentas distrair-te. Mal consegues. Tentas libertar-te. Mal consegues. Nada nem ninguém te alivia. Fazes para fazer. Que tens de fazer. Sem gostos nem vontade. O tempo não passa. Queres sentir. Queres amar. Queres estar certo.
Mas o mundo é grande demais para ti. Um mundo sem fim, sem limites. O mundo que conheces, ao contrário que conheces, tem fim. A tua cidade, a tua aldeia, o teu local de trabalho. É o mundo que conheces desde sempre, onde te movimentes com familiaridade, com segurança. Entre aqui e lá. Fora disto é só desconhecido. O resto, é imenso, é infinito. Ela é infinita. Como chegar a ela? Infinitas, as possibilidades da vida. Como escolher? As ruas, as cidades, como escolhê-las? Milhares, milhões, como escolher uma terra, uma rua, uma casa, uma mulher, que sejam as suas, uma paisagem para olhar, uma maneira de morrer? A Terra? É um navio grande demais para ti. É uma mulher linda demais. Uma viagem longa demais. Um perfume forte demais. Uma música que não consegues tocar.
Um homem diante do destino, diante das escolhas da vida. Uma metáfora da necessidade da importância, da urgência de tomarmos uma decisão (ou umas decisões) no decorrer de nossa existência. Assim talvez possa ser definido o filme da tua vida.
(com ajuda do "Novecentos" de Alessandro Baricco.)
Um homem diante do destino, diante das escolhas da vida. Uma metáfora da necessidade da importância, da urgência de tomarmos uma decisão (ou umas decisões) no decorrer de nossa existência. Assim talvez possa ser definido o filme da tua vida.
(com ajuda do "Novecentos" de Alessandro Baricco.)

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