Que um Homem Tenha a Força de ser
Sincero
Sincero
A maior parte das pessoas, seduzidas pelas aparências, deixam-se tomar pelos engodos
enganadores de uma baixa e servil complacência; tomam-na por um sinal de uma
verdadeira amizade; e confundem, como dizia Pitágoras, o canto das sereias com o das
musas. Crêem, digo eu, que produz a amizade, como as pessoas simples pensam que a terra
fez os Deuses; em lugar de dizerem que foi a sinceridade que a fez nascer como os Deuses
criaram os sinais e as potências celestes.
Sim! É de uma força tão bruta que a amizade deve provir, e é de uma bela origem a que tira
de uma virtude que dá origem a tantas outras. As grandes virtudes, que nascem, se ouso
dizê-lo, na parte da alma mais subida e mais divina, parecem estar encadeadas umas nas
outras. Que um homem tenha a força de ser sincero, e vereis uma certa coragem
difundida em todo o seu carácter, uma independência geral, um império sobre
si mesmo igual ao exercido sobre os outros, uma alma isenta das nuvens do
temor e do terror, um amor pela virtude, um ódio pelo vício, um desprezo
pelos que se lhe abandonam. De um tronco tão nobre e tão belo, não podem
nascer senão ramos de ouro.
Charles-Louis de Secondat, Barão de La Brède e de Montesquieu, nasceu 18 de janeiro de 1689 em Breda, morreu em 10 de Fevereiro de 1755 em Paris. Ele é filho do Barão de Montesquieu e Baronesa de Brede, e é criado numa família nobre de magistrados, no castelo de La Brede, perto de Bordeaux. O escritor será sempre associado ao nome e local.
Os seus pais escolheram-lhe como padrinho um mendigo, para o Charles nunca esquecer que os pobres são também os seus irmãos.

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