Confesso que desde que foi anunciada a morte do Nelson Mandela, tenho visto, ouvido e lido, eu e tanta gente, cada barbaridade à volta da pessoa, que fico de boquiaberta.
Exemplos:
Outros que ouvi nas noticias da rádio ou da TV ou que li na imprensa escrita que têm o seu "quê?" de gritar nomeadamente da classe politica portuguesa.
O Pedro Passos Coelho a dizer : " ...foi uma pessoa extraordinária, com uma vida extraordinária..."
O António Ramalho Eanes a dizer: "É uma pessoa que se pode comparar talvez a Gandhi..."
O Paulo Portas a dizer: "...teve um comportamento único e ímpar..."
O António Rodrigues, deputado PSD, a dizer: "...que com um espírito de candura, de uma forma quase discreta actuou após o fim do apartheid..."
O Rui Machete a dizer: "...um homem que lutou pelo seu ideal ao longo de toda a sua vida..."
O António José Seguro a dizer: "... lutou pacificamente por um ideal..."
O Cavaco Silva a dizer: " Fio com profunda consternação que tomei conhecimento da notícia do falecimento do Nelson Mandela, figura maior da África do Sul e da história mundial."
A cereja em cima do bolo vai para a loura gira que preside e que ganha muito lá na da A.R. a dizer: "que lamenta a culpa colectiva do silêncio ou quase silêncio, inércia ou quase inercia" da comunidade internacional dos 27 anos que Nelson Mandela passou na prisão.
Ora, além dos que querem fazer parte de "eu também" estou com pena do Mandela, estou "IN" mas não sei porquê, então lanço-me e mando uma calinada maior do que eu e tal, enfim estou na maior, pergunto, os políticos portugueses não têm memória ou não aprenderam que tudo fica registado? Se não quiserem passar por parvos, ao menos, que peçam aos 29787463920 assistentes ou afins chefes de gabinete ou conselheiros ou seja o que for para fazer declarações públicas. E a presidente da A.R. que acha que manifestar é crime, a criticar a comunidade internacional... MUITO BOM! Parabéns a todos que, ao menos, de certeza com toda a informação que saiu e que vai saindo, podem enriquecer a sua cultura geral.
Vamos lá deixar de ser hipócritas, não conheço ninguém que tenha ficado surpreendido com a morte de Nelson Mandela. Já estava muito doente, já há uns meses, tinha anunciado a sua quase morte, alias já tinha escrito aqui no mês de Junho passado, e toda gente estava à espera mais dia menos dia da morte dele.
Depois de onde que é vem esta ideia da candura, de Ghandi ou demais propósito de "seu" ideal? Ele começou a luta pela igualdade da humanidade certo, pacificamente, mas frente à violência, não teve outro remédio que de responder com violência, activista e líder de guerrilha. Por isso é que foi preso em 1962. Não por ser um "Ghandi" e não responder à violência. Em 1964, é condenado a prisão perpétua mas nunca perdeu a sua popularidade. Já tinha nascido a lenda, apesar das poucas visitas e das duas correspondências autorizadas e censuradas por ano.
Quando foi libertado e se tornou presidente do ANC, negociando o futuro do país com Frederik de Klerk é que sim, fê-lo de maneira pacífica e diplomática. Depois de um mandato presidencial, deixa a política mas não deixa a luta, contra a pobreza, contra a SIDA. A saúde não ajuda e aos poucos, vai-se preservando por indicação médica, nomeadamente a seguir ao cancro da próstata, os problemas pulmonares provavelmente devido aos anos que passou encarcerado.
Aos 90 anos, em 2008, o seu aniversário foi celebrado como festa nacional, com participação de quase toda a comunidade artística internacional.
No dia 05 de dezembro passado, morreu, meu último herói vivo, que lutou tanto para a igualdade e os direitos humanos. É certo que há mais pessoas a fazê-lo todos os dias. Mas foi preciso muita coragem para o levar a cabo, a seguir à segunda guerra mundial sem apoio internacional, contra uma nação inteira, sem nunca desistir. O povo precisa sempre de um líder, e contra ventos e marés, esteve sempre presente para os injustas menoridades ou maioridades não representadas.
Obrigada Senhor Nelson Mandela, sempre sonhei um dia poder apertar-lhe a mão, sempre sonhei poder dar-lhe um abraço, um dia, como se fosse o meu avô de quem me pudesse orgulhar tanto, tanto e tanto de tanto ter feito pelos outros, por todos nós.





3 comentários:
Calma, Kari, calma!
Achas que fui um bocado forte?
Olá, Kari. Não, não foi forte. Mostrou-se apenas nervosa na defesa de quem se "ama". :)
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