quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Frida, I love your head.


A year.


Conversa moderna.

-Allô?
-Hello, tudo bem?
-Hello! Sim tudo. Correu bem a reunião?
-Sim impec, acabou agora, tudo ok por casa?
-Sim, estamos fixes, estamos a acabar de ver um filme.
-Ok! Boa! Estão bem, não se importem se não for já já já para casa? Posso ir beber um copo com o pessoal?
-Mãe? Achava mais normal se fosse eu a perguntar à minha mãe se pudesse ir beber um copo com os meus amigos... Ahahahahaha! Mas estás a vontade!
-... lol...

Sou rica. E não sou Floribela.

Sim, rica, riquíssima. Mas não foram das 17 horas trabalhadas seguidas sem interrupção. Nem (até que podia ser) dos agradecimentos pessoais, públicos, flores e reconhecimento. Mas não. Rica, eu, desta imagem que me encheu o coração. Que me emocionou até chorar. Esta jovem queria desfilar a todo o custo. O evento foi organizado e por falta de acesso ao palco e de maneira a ela poder desfilar, foi ensaiado a frente do palco, para baixo. Mas sem perceber, sem preparação sem ensaio e ainda menos suspeita de tal, pessoas do público levantaram-se, instintivamente e colocaram a cadeira por cima do palco. E ela, transmitiu de tal maneira a felicidade dela que até dançou com a cadeira ali em cima. E táu! Foi mágico, magnífico e toda gente se levantou para aplaudir.Cada um levou com uma chapada de valores perdidos e deslocados para colocar, a seguir este momento, nos lugares certos. 
A felicidade é simples como desfilar numa cadeira de rodas em cima de um palco.

I look at u, boy.

Bye Bye, herói.



«A minha longa vida deu-me uma série de motivos para me indignar». 

 Stéphane Hessel, herói da Resistência francesa, sobrevivente dos campos de concentração nazis e um dos redactores da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Faleceu a noite passada aos 95 anos. Obrigada pelo que transmitiu e ofereceu aos humanos.






terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Baby's park.

Are u talking to me?

TAP <3 TAP

Pois. De repento. Pergunto:

My sis said: Dalida!

Old door

Teen's world

Humanity's rool.

Old style

Sardas

Show!

Last repetition

Mickey's house

Waiting...

Love story.

Wait!

What's inside?

Guergous' s by children

Destino

Se acreditamos que uma vida existe para um só propósito, também temos de acreditar numa sorte comum. De pai para filha, de irmão para irmã. De mãe para filho. Os laços de sangue podem ser tão inflexíveis como eternos.  Mas são laços que escolhemos que iluminam a estrada que percorremos. Amor versus ódio, lealdade contra traição. O verdadeiro destino de uma pessoa só pode ser revelado no fim da sua viagem. E a história que não deveria contar, está longe de acabar...

Henri Frederic Amiel

Destiny has two ways os crashing us... By refusing our wishes... And by fufilling them.

Quando digo que o silêncio fala, eis um exemplo:



De Criação Criativos:
"Nos anos 70, Marina Abramovic viveu uma intensa história de amor com Ulay. Durante 5 anos viveram num furgão realizando todo tipo de performances. Quando sentiram que a relação já não valia aos dois, decidiram percorrer a Grande Muralha da China; cada um começou a caminhar de um lado, para se encontrarem no meio, dar um último grande abraço um no outro, e nunca mais se ver. 
Vinte e três anos depois, em 2010, quando Marina já era uma artista consagrada, o MoMa de Nova Iorque dedicou uma retrospectiva a sua obra. Nessa retrospectiva, Marina compartilhava um minuto de silêncio com cada estranho que sentasse a sua frente. Ulay chegou sem que ela soubesse e...
Foi assim."


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Goethe

"O comportamento é o espelho, através do qual todos mostram a sua verdadeira imagem."

Quando são as pessoas da mesma família, tem que ouvir, né?

"Big Bisous"


Oh yeah! Grande, pequeno, no nariz, no pescoço etc...




Like pictures



















Tudo menos confuso!


Gosto quando os meus pensamentos estão provados cientificamente...


Nova banda desenhada, ou reality dream?


Agora é que vai!

E quase nas últimas, na cidade de Pombal, oficialmente, hoje vão ser anunciados os candidatos à CMP. Vai ser interessante. Tenho dito. Hehehe...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Só isto...


"A unidade mínima humana não é Um mas sim Dois" 
Bertolt Brecht


Campanha Criativa

W.W.F.

Paris is mine but Lisbon is in my heart.

AVE MAria...

Quando os meninos da Cruz Católica pararem de brincar com a pilinha, pararem de acreditar na virginidade da Virgem Maria e perceberem que é a única religião monoteísta cujos protagonistas não podem casar ou pelo menos não podem assumir a sua sexualidade (aaahh, tabu! Disse sexo! Aaaaah!), haverá sempre estes problemas abafados... Aie Jesus... Nossa! Aqui o artigo do JN sobre o Lóbi gay...

Continuo na minha: a verdade sempre se sabe!

Acho que a estes requisitos e o ordenado oferecido, deveria pedir que os candidatos se apresentem de bikini.

Tantas coisas e ainda não inventaram o homem em 3D?

Compatriota e sabedor ;)


Pois é, Sr. Vergílio, não posso falar em nome de todas mulheres, mas sim, poucos são os que atravessem a porta do quarto em glória.

O que Une uma Mulher a um Homem
O que une uma mulher a um homem não passa por nada do que aparentemente vale. Passa por onde? Não, não: pode não ser por aí, embora seja fundamentalmente por aí. Porque mesmo aí outros poderiam cumprir melhor, com o acréscimo do resto. Há uma falha (uma falta) essencial na mulher que só um certo homem pode preencher. E não é necessariamente essa. O mais misterioso no domínio das relações é o que se situa nas relações amorosas. Ou seja no que há de mais íntimo, essencial, primeiro do ser humano. Um labregório qualquer, torto, bronco, cabeçudo, pode ser amado pela mulher mais divinal e inteligente e ilustrada e refinada de figura. Haverá, pois, para o homem dois mundos que não comunicam entre si e que se separam na porta do quarto. Poucos são os que a atravessam em glória — idos da rua ou para a rua. 

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'


Não devemos ter a mesma noção de democracia.

Governo deplora "triste confusão" entre "direito de se fazer ouvir" e o de "silenciar os outros" | iOnline

Bro's love.


K...

...de Kenzo


A nobre Corte para a matéria.


Por vezes é só questão de imaginação e de criatividade. Ora tanta por aqui e lá fora no mundo da moda ultra fashion, já se aproveita esta matéria tão nobre, tão ligeira como legitima , se se aquece o coração , porque não aquece os pés com CORTIÇA...

Os sapatos em cortiça de Antipodium para ASOS





e-book de Gérald Cohen

Ilustração de Leo Dorfner


O site de Gerarld, homem do mundo, de agora.

"Souveraineté du vide". Cristian Bobin

"Ma solitude est plus une grâce qu’une malédiction"


"L'inachevé, l'incomplétude seraient essentiels à toute perfection."


Photo _ CHARLOTTE _ BRACEGIRDLE


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Eu gostava de ter estas notas para pagar ao menos a EDP.

Olha! E porque não? Acho boa ideia! :-)

Números. Assustadores.

É capaz entretanto de sair uma nova lei que decrete que cantar "Grândola" seja crime.

Ora nem mais que um bocado de bom senso.

Em seguimento às manifestações do povo, o primeiro ministro demissionário da Bulgária, Boiko Borisov declarou: "Cada gota de sangue, caros colegas, é uma nódoa para nós. Não posso ver um parlamento cercado por uma vedação." e demitiu-se.
Eu digo Bravo. Clap-clap.

E na série Berlusconi, eis o Luigi.

ITALIE • Berlusconi junior investit (discrètement) dans les tablettes et smartphones | Courrier international

Citation en français s'il vous plaît.


Citation de ce mercredi 20 février 2013
Il faut toujours, en toute circonstance, même si l'on est démenti, avoir le courage d'aimer.
L'Evangile selon Pilate



The Violence of Mexican Drug Cartels


Porque ainda há uns dias postei um "Novo filme. Da vida real.", hoje partilho informação e alerta. A vida não é um filme.




Afinal ainda bem que há estudos antropológicos e sérios sobre este assunto que realmente já me tinha feito chegar a esta conclusão.


Pesquisa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas analisa influência das Princesas da Disney nas meninas

Igor Truz / Agência USP de Notícias
Foto: Cecília Bastos / USP Imagens
No Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, a antropóloga Michele Escoura estudou de que maneira as imagens de princesas de contos de fadas servem como um referencial de gênero e exemplo de feminilidade. A pesquisa foi realizada com aproximadamente duzentas crianças de cinco anos de três escolas, públicas e particulares,  do interior de São Paulo — duas em Jundiaí e uma em Marília. Por intermédio de observações participantes, Michele avaliou a influência exercida nas crianças pela marca registrada “Disney Princesas”. As imagens das personagens das produções cinematográficas dos estúdios Walt Disney estão presentes no imaginário e no cotidiano da maioria das meninas e carregam em si uma série de particulares significados. Segundo a antropóloga, é necessário mostrar a elas outros referenciais de mundo e do que é ser mulher.
A pesquisa Girando entre Princesas: performances e contornos de gênero em uma etnografia com crianças foi fundamentada nas teorias de gênero, difundidas a partir dos anos 1970. “Segundo as teorias de gênero, os referenciais de masculinidade e feminilidade não são pautados pela natureza, mas apreendidos segundo os modos de socialização a que nos submetemos. Diferentemente do sexo, enquanto um referencial anatômico de macho e fêmea, os gêneros masculino e feminino resultam de uma construção  social, e variam de acordo com cada cultura”, afirma Michele.
Durante o acompanhamento do cotidiano das crianças de diferentes classes sociais, que durou um ano,  Michele percebeu que as princesas da Disney eram operadas como um referencial para demarcar o gênero: “Uma brincadeira era de menina quando de alguma maneira as crianças resolviam brincar de princesas. As meninas não tinham necessariamente que reproduzir as ações das personagens nas brincadeiras, mas apenas a citação das princesas, ou a utilização de algum produto  relacionado a elas enquanto brincavam já demarcava a participação exclusiva de meninas naquela atividade.”

Casamento: uma necessidade?

Foto: Cecília Bastos / USP Imagens
Além de acompanhar as brincadeiras, Michele exibiu nas escolas os filmes Cinderela e Mulan, com o objetivo de mapear como as crianças compreendiam as narrativas dos filmes com princesas da Disney. A escolha foi feita porque tratam-se de duas personagens “Disney Princesas”conceitualmente diferentes. Enquanto Cinderela é a princesa ‘clássica’, passiva, sempre à espera de outras pessoas para resolver os seus problemas, Mulan, segundo a própria descrição no site da Disney, é uma princesa rebelde, que a partir de suas ações, desencadeia os acontecimentos na história.”
Após as exibições, a antropóloga solicitou que as crianças retratassem, em desenhos comentados, a cena mais relevante de cada um dos filmes. Entre os muitos elementos captados, alguns chamavam a atenção, como a necessidade de vínculo conjugal da princesa com um príncipe, ou ainda o padrão estético, de beleza e comportamento.
De acordo Michele, o status de princesa não foi facilmente atribuído pelas crianças à Mulan, em contraposição à Cinderela. Muitas crianças resistiram em considerar Mulan uma princesa e os argumentos, principalmente, se pautavam em dois motivos: Primeiro, por a personagem não apresentar o padrão estético, de beleza e comportamento, da maioria das outras princesas. Em segundo lugar, e mais importante, pelo final do filme não deixar claro se Mulan se casou ou não. Segundo Michele, indagada sobre o porquê Mulan não seria uma princesa, uma das crianças respondeu: “Tia, para ser princesa precisa casar, né? Senão não vai ser princesa, vai ser solteira!”

Marca registrada

Criada no início dos anos 2000, a marca registrada “Disney Princesas” reúne os direitos de reprodução das imagens de algumas personagens presentes nas produções cinematográficas da Walt Disney Company, nos mais variados tipos de produtos, de mochilas e cadernos até jogos de videogame. A franquia nasceu com a ideia de potencializar os lucros da empresa, principalmente por intermédio do jovem público consumidor feminino.
A marca conta hoje com dez personagens: Branca de Neve, do filme A Branca de Neve e os Sete Anões (1937); Cinderela, de Cinderela (1950); Aurora, de A Bela Adormecida (1959); Ariel, de A Pequena Sereia (1989); Bela, de A Bela e a Fera (1991); Jasmine, de Alladin (1992); Pocahontas, de Pocahontas (1995); Mulan, de Mulan(1998); Tiana, de A Princesa e o Sapo (2009); e Rapunzel, de Enrolados (2010).
Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Michele ressalta a importância de nos atentarmos ao padrão que determina a presença ou não de uma personagem no seleto grupo da marca. Ao analisar a narrativa dos dois filmes selecionados, o ponto em comum percebido entre as ‘Disney Princesas’ é o sucesso no amor conjugal. A imagem das princesas é totalmente dependente do príncipe, e apesar das grandes diferenças nas narrativas, a realização de si enquanto um exemplo de feminilidade só é completa após o casamento ou a sua sugestão.”
Segundo o estudo, a marca é, hoje, a principal responsável pela divulgação das princesas da Walt Disney. As crianças conhecem antes as princesas pelos produtos em que estão estampadas, do que pelos filmes que contam a sua história. Para a antropóloga, a pesquisa demonstra como o consumo destes determinados produtos também exerce o papel de demarcar as diferenças de gênero entre as crianças.

Novos horizontes

Mais do que marginalizar completamente as personagens das princesas, Michele acredita que é preciso garantir que as crianças tenham acesso também a outros tipos de referenciais de feminilidades. Filmes, músicas, roupas e tantos outros produtos entregues às crianças, não podem ser a única fonte de informação sobre o que é ser mulher.
“As princesas da Disney carregam consigo um conteúdo que acaba funcionando como uma restrição a ideia do que é ser humano, enquanto mulher. É necessário garantir que a formação das crianças tenha também outros tipos de referenciais. A diversidade existe, e as crianças devem saber que não há apenas uma maneira de serem felizes, bonitas e aceitas.”, conclui a antropóloga.
Mais informações: email micheleescoura@gmail.com, com a antropóloga Michele Escoura

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Revejo-me... há 20 anos...

Oí?

Jornal de uma adolescente que demorou 6 meses para se reconstruir depois do amor.

Aie mãe!

Sabemos as diferenças que nós liguem, e as dificuldades que a vida nos colocou para tais. Felizmente, conseguimos conversar e ultrapassar estas coisas. E há uma das coisas que sempre me ensinaste e que se verificou, a verdade se sabe sempre. Podem, os alucinados, os inventores esconderem-se a trás de seja o que for, um dia, sabe-se tudo. Não sou melhor que os outros, mas não cuspo em cima dos que me fizeram bem, nem que me ajudaram. E posso esquecer de coisas de quais não dou relevância, mas não tenho a memória curta, nomeadamente a quem dei de mim. E não fico a espera de retorno nem de pagamento, a lentidão é o segredo para a felicidade (Eric-Emmanuel Schmitt, "O senhor Ibrahim e as flores do Corão" )o que dei será sempre meu, fará sempre parte de mim e não me arrependo do que fiz, disse e senti. Como disse ou escreveu o Fernando Pessoa, Homem da minha terra de escolha: " Só guardamos o que demos."

A Inteligência não é o Fundo do nosso Ser


A inteligência não é o fundo do nosso ser. Pelo contrário. É como uma pele sensível, tentacular que cobre o resto do nosso volume íntimo, o qual por si é sensu stricto ininteligente,irracional. Barrès dizia isto muito bem: L'intelligence, quelle petite chose à la surface de nous. Aí está ela, estendida como um dintorno sobre o nosso ser mais interior, dando uma face às coisas, ao ser - porque o seu papel não é outro senão pensar as coisas, pensar o ser, o seu papel não é ser o ser, mas reflecti-lo, espelhá-lo. Tanto não somos ela que a inteligência é uma mesma em todos, embora uns dela tenham maior porção que outros. Mas a que tiverem é igual em todos: 2 e 2 são para todos 4. Por isso Aristóteles e o averroísmo acreditaram que havia um único noûs ou intelecto no Universo, que todos éramos, enquanto inteligentes, uma só inteligência. O que nos individualiza está por trás dela.Mas não vamos agora espicaçar uma tão difícil questão. Baste o que foi dito para sugerir que em vão pretenderá a inteligência lutar num match de convicção com as crenças irracionais, habituais. Quando um cientista sustém as suas ideias com uma fé semelhante à fé vital, duvida da sua ciência. Numa obra de Pío Baroja, uma personagem diz a outra: «Este homem acredita na anarquia como na Virgem do Pilar»; o que é comentado por uma terceira: «Em tudo o que se acredita se acredita igualmente». Do mesmo modo, sempre a fome e sede de comer e beber será psicologicamente mais forte, terá mais energia bruta psíquica que a fome e a sede de justiça. Quanto mais elevada for uma actividade num organismo, é menos vigorosa, menos estável e eficiente. As funções vegetativas falham menos que as sensitivas, e estas menos que as voluntárias e reflexivas. Como dizem os biólogos, as funções adquiridas ultimamente, que são as mais complexas e superiores, são as que primeiro e mais facilmente são perdidas por uma espécie. Em outros termos: o que vale mais é o que está sempre em maior perigo. Num caso de conflito, de depressão, de paixão sempre estamos prontos a deixar de ser inteligentes. Dir-se-ia que levamos a inteligência presa com um alfinete. Ou dito de outra maneira: o mais inteligente é-o... às vezes. E o mesmo poderíamos dizer do sentido moral e do gosto estético. Sempre no homem, por sua própria essência, o superior é menos eficaz que o inferior, menos firme, menos capaz de se impor. 

Ortega y Gasset, in 'O Que é a Filosofia?'

Shiuuuuu....

Silêncio é uma palavra impossível.
Não corresponde a nenhuma realidade.
Não há silêncio no cosmos 
nem em cada um de nós.
Numa sala sem eco, 
entre sete paredes de cimento isolante,
ouve-se ecoar a circulação
do nosso próprio sangue.

António Barahona

reciclagem, gosto de fazer coisas lindas e dar segunda vida aos objectos usados :)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O fim.

Um amigo, há mais ou menos um mês, disse-me que a normalidade não deve alimentar a anormalidade. Não concordei na altura. Com o argumento de que cada um sabe de si, que cada um faz os filmes que quiser, que cada perspectiva é pessoal e subjectiva e que cada pessoa gere as suas interpretações, alucinações e visões como entender. Mas ele justificou que somos responsáveis pela nossa inteligência, numa sociedade onde os mal-entendidos são causadores de conflitos desnecessários, inapropriados e alimentadores de desconhecimentos transformados em psicose colectiva. A semana passada dei-lhe razão. E concluo com o que ele me disse há uns dias: longe do farol, vê-se a luz.

O fim justifica os meios.


Mafalda Justino Alves, a mãe da aluna de 14 anos com dislexia que viu negada pelo Júri Nacional de Exames (JNE) a possibilidade de realizar as provas finais do 9º ano em sala separada com leitura de enunciados.
A mãe de Constança, que chegou a pôr o Ministério da Educação em tribunal, recebeu esta manhã da TSF «com felicidade» a notícia do recuo do Ministério da Educação.
«Acho que era uma injustiça tremenda o que se estava a passar, acho que é um bom senso da parte do Governo e acho que reflectiram perante as situações que lhes foram postas por vários pais, não só eu, várias instituições, que lhes puseram à frente, de facto, a realidade que é a vida destas crianças. Fico muito contente. Têm sido muitos anos de luta com a minha filha para que ela consiga estar no mesmo patamar e superar os mesmos obstáculos de todas as outras crianças. Sinto-me emocionada», admitiu Mafalda Justino Alves à TSF.
O Ministério da Educação voltou atrás e vai manter os exames ao nível de escola para os alunos com necessidades educativas especiais.
O Júri Nacional de Exames (JNE) disse às escolas que as crianças vão poder fazer exames ao nível de escola e regressa também a leitura de enunciados para os alunos com dislexia. Mais por aqui:


Campanha contra os "desastres silenciosos" - Mundo - Notícias - RTP

Caso com quem me oferecer isto:


domingo, 17 de fevereiro de 2013

A verdade vidente

Cada um é que cria o seu próprio destino. Não esperes que ele venha até ti.

2013, modo de vida, Pombal, Portugal

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António Pinho Vargas:

Não há luz, só túnel

Quem assim fala não é um qualquer opositor (como eu). É o director da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Prof. José Reis.

"As hipóteses de ignorância, fanatismo ideológico, convicção cega de que as finanças públicas são tudo, servilismo político ou comportamento aluado parecem frágeis para explicar a sequência fria, sistemática, encadeada, de deliberações sobre a economia portuguesa que a conduziram ao óbvio: à paralisia, à depressão, à miséria, ao abandono.

Mas os dados sobre uma realidade negra somam-se. O desemprego ontem, o produto interno bruto (PIB) hoje, o investimento amanhã. Enfim, a desconstrução da economia, da sociedade, das expectativas. Qual é a surpresa, se tudo se montou para que assim fosse? É preciso lembrar que em 2010, em Portugal, o crescimento foi 1,6%?

Já não é de crise que se trata. É de outra coisa. Crise, dizem os eruditos e lembramo-nos muitos de nós, é uma situação de passagem para outra fase, uma transição em que há mudança, mas não se desconstrói tudo, abrindo-se sempre um caminho. Aqui não há passagem para lado nenhum. É um estado em si mesmo: o empobrecimento pelo empobrecimento, a redução absurda do que somos, do que temos. Já nem a frase "desvalorização interna", que fez época, parece fazer sentido. É muito mais do que isso.

O assunto não é apenas português, bem se sabe. O centro da Europa afunda-se igualmente. A ideia deslumbrada de que só era preciso corrigir os nossos vícios, pois só nós fugíamos à regra, não tinha caminho para fazer. Nem cá, nem lá. O desígnio exportador como salvação era fruto desse moralismo sem base.

Alguém continuará a dizer-nos que isto é para preparar a retoma? Alguém ainda vem com a estafada metáfora da luz ao fundo do túnel? O que é claro é que é preciso destruir o túnel, porque ele não comporta luz, não tem saída. Como é que isso se faz? Com o inverso do que tem sido feito. Investimento público regenerador. Sanear os bancos para que deixem de se alimentar a si mesmos e financiem a economia. Regresso à economia real criadora de riqueza, emprego e bem-estar. Repartição justa do rendimento valorizando a procura interna que relance a economia.

Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
in Público 15-3-13, p.3