As horas deste meu blog não estão certas. O tempo. Questão de tempo que os nossos sentidos e percepções são mestres em nos enganar. Albert Einstein disse: "Uma ilusão. A distinção entre passado, presente e futuro não passa de uma firme e persistente ilusão."
sábado, 15 de dezembro de 2012
Conversa de café
-Quase que me apetece fazer um anúncio.
-Então porquê?
-Parece que tenho que baixar-me ao nível de gente estúpida e ridícula.
-Mas como assim? Tu és a pessoa mais compreensível e transparente que conheço. Ainda os mesmos assuntos? Não podes ligar, és linda demais para isso, sabes, os que brilham, incomodam.
-Sim, é triste chegar a este ponto mas se tivesse um bocado menos de bom senso chegaria com um cartaz tipo assim:
-Então porquê?
-Parece que tenho que baixar-me ao nível de gente estúpida e ridícula.
-Mas como assim? Tu és a pessoa mais compreensível e transparente que conheço. Ainda os mesmos assuntos? Não podes ligar, és linda demais para isso, sabes, os que brilham, incomodam.
-Sim, é triste chegar a este ponto mas se tivesse um bocado menos de bom senso chegaria com um cartaz tipo assim:
Aviso estúpido ou informação ridícula:
Às queridas namoradas que passaram a seguir a mim, que fiquem descansadas. Que ganhem auto-estima, auto-confiança e um bocado de dignidade, para o vosso bem. Passo a explicar pelo vosso meio preferido (boca feia sem mínima de inteligência), apesar dos meus numerosos esforços, que a minha boa e sincera palavra frontal não resulta: Se já não estou com quem estava é porque não quero. Se quisesse, ainda estava. Comigo não há dúvidas, não há um dia é o outro não é, não um dia quis, outro não quis e outro quero outra vez. Não, nada disso. Quando digo acabou, é porque acabou de uma vez . Não tenho remorsos, não tenho nostalgia, é tudo bem pensado e ponderado. Portanto, se eles, não vos dão a segurança que pretendem ou que necessitam, não tenho culpa, este trabalho é vosso, da minha parte não têm nada a temer. Ganham juízo e podem evitar de vitimizar-se (não sabia que era assim tão poderosa) e misturar as coisas, podem também explicar às vossas irmãs a quem pediram o favor (nem sei com que maturidade ou valores o fizeram e ainda menos como elas aceitaram fazê-lo), que obviamente não vou aceitar o pedido de amizade delas, nem às várias tentativas nem com o tempo. Ainda se tivessem coragem de ser vosso, era com todo o gosto.
-Aaaaaaaaaaaaaaaaaah! Brutal! Ahahahahahaha! Isso é que era! Mas lá está, como o teu nível é bastante superior, limitas-te a ter pena delas, até te passares de vez, mas neste dia nem quero estar... Ahahahahaha!
-Aaaaaaaaaaaaaaaaaah! Brutal! Ahahahahahaha! Isso é que era! Mas lá está, como o teu nível é bastante superior, limitas-te a ter pena delas, até te passares de vez, mas neste dia nem quero estar... Ahahahahaha!
Prenda.
Recebi o seguinte:
Clarice Lispector"
"Esta és tu.... ♥♥♥♥
""Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."
""Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."
Clarice Lispector"
Obrigada à minha Poca.
A minha Salamandra
Tenho uma salamandra. É velha e já cá estava há muitooooooooooo tempo mas depois de rejuvenescência pinturalesca facial e de ser instalada pelo meu amigo João está cá como nova. Adaptamo-nos uma a outra. Para já, trato-a bem, acho-a linda e manifesto-lhe o meu agrado. Ela sabe a toda. Deixou-me testá-la, adaptar-me a ela e entendê-la. Tenho que alimentá-la com pinhas e lenha. Tenho que a deixar respirar, abro-lhe a boca em grande. E ela ruge de prazer. Até fico corada de calor. Quando ela exagera, fecho-lhe a boca e fala logo mais baixo. Quando sinto que ela se apaga, dou-lhe logo o que ela precisa. Atiço-a, não quero que ela se apaga. Arrumo todos os manuais de utilização e deixo correr as emoções. Adivinho-a, sinto-a, mete-me o coração em chamas e quando ela manda faíscas tenho que a travar, ela não pode dramatizar. Mas contente, ela dá-me cores azul, laranja, roxo do seu pescoço de inox. Mas chiuuuu... ela não pode saber nem se aperceber de o que faço para ela estar em harmonia comigo...
Frase
"Só o riso, o amor e o prazer merecem revanche. O resto, mais que perda de tempo... É perda de vida."
Chico Xavier
Chico Xavier
Walt Disney, o carago!
Em vez de nos educar com romantismo, pessoas boazinhas e famílias perfeitas, que o bem ganha sempre, se calhar deveriam encharcar-nos de filmes de terror e de drama para estamos sempre preparados a enfrentar o mundo. É que depois de combater uma bruxa má, aparecem milhares sem fim. É cansativo lutar com os "bons" meios quando há sempre armas novas a surgir. Ora, bruxa, entende-se, como qualquer tipo de situações "obstaculares" emocionais à evolução no tempo nos caminhos verdes e floridos.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Sinais.
A lua sempre falou comigo, como o céu e as estrelas. A espreitar da sacada aberta a chuva à luz do reverbere, apreciei as milhares de pingas a representá-la. Lindas, purificadores e brilhantes. Toda contente, respondeu-me com um pingão na ponta a arder do meu cigarro agarrado aos meus lábios. Apagou-o.
Tão simples.
Maravilhosa aliança judeu-muçulmana para a paródia de Miss France, Adoro. São os únicos cómicos que me fazem rir. Tenho o riso fácil mas fazer-me rir mesmo é difícil.
Alta dignidade.
Saber reconhecer quando não cabemos no espaço do outro. Saber ler os sinais sem desculpá-los. Saber perceber que não somos procurados nem desejados. Saber se retirar educadamente, delicadamente e discretamente. Saber guardar a cara levantada e o sorriso. Saber que doí. Saber aceitar.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
R E S P E I T O. E dos Grande para o "Nuno Santos".
DECLARAÇÃO HOJE DO NUNO SANTOS NO HOTEL D.PEDRO EM LISBOA SOBRE O PROCESSO DISCIPLINAR QUE LHE FOI MOVIDO PELO CA DA RTP.
"Caiu a máscara ao Presidente da RTP.
Hoje é já possível afirmar que a conclusão daquele que é conhecido como o caso “Brutosgate” corresponde, afinal, ao meu despedimento.
E esse despedimento, que se segue à minha demissão por razões políticas, estava preparado, de acordo com todas as informações que recolhi, antes da minha ida à Comissão Parlamentar para a Ética, a Cidadania e a Comunicação da Assembleia da República.
No momento em que acaba de ser promovido o meu silenciamento, através de uma suspensão que me impede de frequentar as instalações da RTP e, consequentemente, de trabalhar, convoquei este encontro para explicar à opinião pública algumas questões que se me afiguram essenciais para o entendimento do que verdadeiramente está em causa.
O conselho de administração da RTP entende que passagens das declarações que prestei no Parlamento consubstanciam a prática de grave infracção disciplinar.
… O que devem os cidadãos dizer quando chamados a prestar depoimento perante aquele Órgão de Soberania? A verdade ou o que é “politicamente correcto” com vista à manutenção, a qualquer custo, do seu posto de trabalho?
Daqui lanço um apelo à Senhora Presidente da Assembleia da República para que se pronuncie, não sobre mim ou sobre este caso em concreto, mas sobre a protecção de que devem gozar cidadãos chamados a depor nas Comissões Parlamentares.
Aquilo que cada um de nós diz, nessa condição de cidadãos, perante as Comissões não pode ser condicionado, à partida, com medo das represálias que possamos sofrer por alguém poder ver nessas declarações delito de opinião, algo que há mais de trinta e oito anos está banido da ordem jurídico-constitucional portuguesa.
O conselho de administração da RTP entendeu que a circunstância de ter referido que fui sujeito a um julgamento sumário, consubstancia a prática de grave infracção disciplinar. Poderá, então, o conselho de administração, explicar como se qualifica uma situação em que, antes de qualquer inquérito, me imputou oralmente e por escrito ter autorizado que a PSP visionasse “brutos” na RTP?
E como classificar um “inquérito” – entre aspas – onde o meu testemunho era irrelevante porque os “factos estavam apurados”. Será exagero classifica-lo como julgamento sumário?! E ao fazê-lo com frontalidade deve um trabalhador ser punido pela sua entidade empregadora, por sinal uma empresa pública?!
O conselho de administração da RTP entendeu também, descontextualizando-a, que a explicitação que fiz das razões que conduziram ao meu pedido de demissão do (muito específico e legalmente preservado cargo) de director de informação da RTP seria uma prática de grave infracção disciplinar e de violação do dever de respeito.
Nunca faltei ao respeito ao presidente do conselho de administração da RTP. Disse a verdade, disse o que penso. Fui contundente, mas não sou conhecido por usar meias palavras nem por ser pessoa de meias tintas. Medi cada expressão usada no Parlamento e não alteraria uma única.
Basta, de resto, analisar todo este caso para perceber que a única pessoa desrespeitada fui eu, desde logo por ter sido dado como o exclusivo culpado de uma situação que não criei. Assisti a seguir a um “inquérito” alegadamente para apuramento dos factos, “inquérito” no qual a minha contribuição era, na óptica do conselho de administração da RTP, reconhecidamente desnecessária e mesmo irrelevante.
Acresce a tudo isto o comentário jocoso, feito no estrangeiro – em Angola concretamente, sobre aquilo que o Dr. da Ponte designou como a minha “autoflagelação”.
Todas as minhas tomadas de posição têm-se pautado por uma abordagem ponderada e rigorosa de questões muito sérias que têm a ver com direitos, liberdades e garantias (individuais e coletivas), e nunca – sublinho nunca - pelo recurso à chacota fácil e desdenhosa.
O conselho de administração da RTP entendeu que consubstanciam a prática de grave infracção disciplinar algumas declarações que prestei sobre a ordem de serviço 14, a qual obriga a que a aquisição de conteúdos seja autorizada com setenta e duas horas de antecedência.
A Ordem de Serviço é explícita e as suas consequências perfeitamente conhecidas, sendo a principal o condicionamento ilegítimo das decisões editoriais. Ou seja, o conselho de administração quer, por via administrativa, conhecer passos fundamentais do processo editorial e reservar para si a palavra final.
O conselho de administração repescou, ainda, a questão dos “brutos” que já dera por encerrada por saber que não tinha nem podia ter ressonância disciplinar.
É cristalino que o conselho de administração da RTP não tem competência disciplinar em matéria deontológica dos jornalistas, devendo qualquer intervenção nesta área ser vista como abusiva - por violadora - de uma instância própria de uma classe profissional. O alcance da intervenção da administração da RTP nesta área era e foi meramente a de liquidar de forma sumária a minha imagem profissional na praça pública.
Agora, com o argumento absurdo de que neguei a prática dos factos (virtuais) relacionados com uma (pretensa) autorização por mim (supostamente) dada para que elementos da PSP visionassem imagens não editadas da manifestação e que, por consequência, devo ser responsabilizado por esses (supostos) actos, o conselho de administração da RTP vem dar o dito por não dito e, simultaneamente, incorrer no patético de recuperar uma matéria onde não pode intervir e relativamente à qual já recuara.
O conselho de administração da RTP suspendeu-me de toda a minha actividade profissional de jornalista e impediu-me de trabalhar, prejudicando-me gravemente quer em termos profissionais, que em termos pessoais.
E porquê? Porque – segundo referiu – as funções de direcção que eu exercia e a minha posição hierárquica elevada potenciam o meu, e passo a citar, “ascendente natural” sobre os meus “anteriores subordinados” e essa circunstância poderia prejudicar o andamento das diligências preparatórias da nota de culpa.
Não ter condições para trabalhar como director de informação, como aliás o presidente do conselho de administração reconheceu nas suas declarações prestadas na Assembleia da República, não implica que não se possa usufruir do direito a ver distribuídas outras tarefas.
O meu percurso de 13 anos ao serviço da Rádio e da Televisão Públicas, mais de metade com funções de Alta Direcção, mereciam outro cuidado. Será difícil pedir isso a gestores que vêm de áreas estranhas aos media mas, se alguém não está preparado para esta tarefa, deveria ter pensado antes.
Guardei para o fim aquilo que está no cerne deste despedimento anunciado pelo conselho de administração da RTP, concretamente as alusões que fiz perante a Comissão Parlamentar relativas ao meu saneamento político. Se dúvidas subsistissem que esse saneamento existiu, elas foram dissipadas com a decisão ilegal e ilegítima do conselho de administração da RTP que teve a cobertura e intervenção do poder político e isso deve merecer uma reflexão profunda a todos nós, jornalistas, e à sociedade portuguesa, em geral.
Ninguém poderá ficar indiferente à forma como se voltam a silenciar vozes defensoras da liberdade de informação, nomeadamente na RTP, desta vez, e como afirmei no Parlamento, e reafirmo aqui “travestidas de decisões de gestão ou de matérias “internas”.
Não há ilusão possível: o direito à liberdade de expressão, tal como a privacidade da correspondência e o direito ao trabalho são valores constitucionais. O conselho de administração da RTP entendeu violá-los de maneira grosseira através da recuperação, desde logo, do inexistente delito de opinião.
Quero terminar dizendo que, muito embora a conclusão do processo disciplinar já esteja feita, como feita estava, a priori, a do pseudo-inquérito que a RTP conduziu ad hominem antes dele, irei até às últimas instâncias, profissionais e deontológicas, na defesa do meu bom nome e da minha honra.
Nesse sentido:
Dei instruções aos meus advogados para que utilizem todos os recursos previstos na lei não só para me defender mas também para confrontar o conselho de administração da RTP com a justiça. Este abuso de autoridade é uma ameaça para todos no interior da empresa e precisa ser travado.
Tenho consciência que estou a servir de exemplo, como outros serviram no passado, para que o poder político mostre à classe jornalística como se deve “comportar”.
Mas, por ter essa consciência, também sinto a responsabilidade acrescida de não vacilar. E não vacilarei!
Como disse no meu primeiro comunicado, tempos conturbados aguardam a RTP com a anunciada aquisição de parte do seu capital com o figurino que tem sido divulgado. Cabe aqui uma palavra especial de apoio a todos os trabalhadores da Televisão e da Rádio Públicas nesta hora tão incerta. O clima de medo instalado faz com que muitos estejam em silêncio. Que ninguém se iluda. Depois de mim outros serão atingidos.
É certo que a cortina de fumo que o meu caso acaba por constituir tem indiscutível oportunidade para desviar as atenções da opinião pública, mas sei, também que esta está hoje e mais do que nunca, até pela situação que o país atravessa, atenta e pronta para intervir."
No momento em que acaba de ser promovido o meu silenciamento, através de uma suspensão que me impede de frequentar as instalações da RTP e, consequentemente, de trabalhar, convoquei este encontro para explicar à opinião pública algumas questões que se me afiguram essenciais para o entendimento do que verdadeiramente está em causa.
O conselho de administração da RTP entende que passagens das declarações que prestei no Parlamento consubstanciam a prática de grave infracção disciplinar.
… O que devem os cidadãos dizer quando chamados a prestar depoimento perante aquele Órgão de Soberania? A verdade ou o que é “politicamente correcto” com vista à manutenção, a qualquer custo, do seu posto de trabalho?
Daqui lanço um apelo à Senhora Presidente da Assembleia da República para que se pronuncie, não sobre mim ou sobre este caso em concreto, mas sobre a protecção de que devem gozar cidadãos chamados a depor nas Comissões Parlamentares.
Aquilo que cada um de nós diz, nessa condição de cidadãos, perante as Comissões não pode ser condicionado, à partida, com medo das represálias que possamos sofrer por alguém poder ver nessas declarações delito de opinião, algo que há mais de trinta e oito anos está banido da ordem jurídico-constitucional portuguesa.
O conselho de administração da RTP entendeu que a circunstância de ter referido que fui sujeito a um julgamento sumário, consubstancia a prática de grave infracção disciplinar. Poderá, então, o conselho de administração, explicar como se qualifica uma situação em que, antes de qualquer inquérito, me imputou oralmente e por escrito ter autorizado que a PSP visionasse “brutos” na RTP?
E como classificar um “inquérito” – entre aspas – onde o meu testemunho era irrelevante porque os “factos estavam apurados”. Será exagero classifica-lo como julgamento sumário?! E ao fazê-lo com frontalidade deve um trabalhador ser punido pela sua entidade empregadora, por sinal uma empresa pública?!
O conselho de administração da RTP entendeu também, descontextualizando-a, que a explicitação que fiz das razões que conduziram ao meu pedido de demissão do (muito específico e legalmente preservado cargo) de director de informação da RTP seria uma prática de grave infracção disciplinar e de violação do dever de respeito.
Nunca faltei ao respeito ao presidente do conselho de administração da RTP. Disse a verdade, disse o que penso. Fui contundente, mas não sou conhecido por usar meias palavras nem por ser pessoa de meias tintas. Medi cada expressão usada no Parlamento e não alteraria uma única.
Basta, de resto, analisar todo este caso para perceber que a única pessoa desrespeitada fui eu, desde logo por ter sido dado como o exclusivo culpado de uma situação que não criei. Assisti a seguir a um “inquérito” alegadamente para apuramento dos factos, “inquérito” no qual a minha contribuição era, na óptica do conselho de administração da RTP, reconhecidamente desnecessária e mesmo irrelevante.
Acresce a tudo isto o comentário jocoso, feito no estrangeiro – em Angola concretamente, sobre aquilo que o Dr. da Ponte designou como a minha “autoflagelação”.
Todas as minhas tomadas de posição têm-se pautado por uma abordagem ponderada e rigorosa de questões muito sérias que têm a ver com direitos, liberdades e garantias (individuais e coletivas), e nunca – sublinho nunca - pelo recurso à chacota fácil e desdenhosa.
O conselho de administração da RTP entendeu que consubstanciam a prática de grave infracção disciplinar algumas declarações que prestei sobre a ordem de serviço 14, a qual obriga a que a aquisição de conteúdos seja autorizada com setenta e duas horas de antecedência.
A Ordem de Serviço é explícita e as suas consequências perfeitamente conhecidas, sendo a principal o condicionamento ilegítimo das decisões editoriais. Ou seja, o conselho de administração quer, por via administrativa, conhecer passos fundamentais do processo editorial e reservar para si a palavra final.
O conselho de administração repescou, ainda, a questão dos “brutos” que já dera por encerrada por saber que não tinha nem podia ter ressonância disciplinar.
É cristalino que o conselho de administração da RTP não tem competência disciplinar em matéria deontológica dos jornalistas, devendo qualquer intervenção nesta área ser vista como abusiva - por violadora - de uma instância própria de uma classe profissional. O alcance da intervenção da administração da RTP nesta área era e foi meramente a de liquidar de forma sumária a minha imagem profissional na praça pública.
Agora, com o argumento absurdo de que neguei a prática dos factos (virtuais) relacionados com uma (pretensa) autorização por mim (supostamente) dada para que elementos da PSP visionassem imagens não editadas da manifestação e que, por consequência, devo ser responsabilizado por esses (supostos) actos, o conselho de administração da RTP vem dar o dito por não dito e, simultaneamente, incorrer no patético de recuperar uma matéria onde não pode intervir e relativamente à qual já recuara.
O conselho de administração da RTP suspendeu-me de toda a minha actividade profissional de jornalista e impediu-me de trabalhar, prejudicando-me gravemente quer em termos profissionais, que em termos pessoais.
E porquê? Porque – segundo referiu – as funções de direcção que eu exercia e a minha posição hierárquica elevada potenciam o meu, e passo a citar, “ascendente natural” sobre os meus “anteriores subordinados” e essa circunstância poderia prejudicar o andamento das diligências preparatórias da nota de culpa.
Não ter condições para trabalhar como director de informação, como aliás o presidente do conselho de administração reconheceu nas suas declarações prestadas na Assembleia da República, não implica que não se possa usufruir do direito a ver distribuídas outras tarefas.
O meu percurso de 13 anos ao serviço da Rádio e da Televisão Públicas, mais de metade com funções de Alta Direcção, mereciam outro cuidado. Será difícil pedir isso a gestores que vêm de áreas estranhas aos media mas, se alguém não está preparado para esta tarefa, deveria ter pensado antes.
Guardei para o fim aquilo que está no cerne deste despedimento anunciado pelo conselho de administração da RTP, concretamente as alusões que fiz perante a Comissão Parlamentar relativas ao meu saneamento político. Se dúvidas subsistissem que esse saneamento existiu, elas foram dissipadas com a decisão ilegal e ilegítima do conselho de administração da RTP que teve a cobertura e intervenção do poder político e isso deve merecer uma reflexão profunda a todos nós, jornalistas, e à sociedade portuguesa, em geral.
Ninguém poderá ficar indiferente à forma como se voltam a silenciar vozes defensoras da liberdade de informação, nomeadamente na RTP, desta vez, e como afirmei no Parlamento, e reafirmo aqui “travestidas de decisões de gestão ou de matérias “internas”.
Não há ilusão possível: o direito à liberdade de expressão, tal como a privacidade da correspondência e o direito ao trabalho são valores constitucionais. O conselho de administração da RTP entendeu violá-los de maneira grosseira através da recuperação, desde logo, do inexistente delito de opinião.
Quero terminar dizendo que, muito embora a conclusão do processo disciplinar já esteja feita, como feita estava, a priori, a do pseudo-inquérito que a RTP conduziu ad hominem antes dele, irei até às últimas instâncias, profissionais e deontológicas, na defesa do meu bom nome e da minha honra.
Nesse sentido:
Dei instruções aos meus advogados para que utilizem todos os recursos previstos na lei não só para me defender mas também para confrontar o conselho de administração da RTP com a justiça. Este abuso de autoridade é uma ameaça para todos no interior da empresa e precisa ser travado.
Tenho consciência que estou a servir de exemplo, como outros serviram no passado, para que o poder político mostre à classe jornalística como se deve “comportar”.
Mas, por ter essa consciência, também sinto a responsabilidade acrescida de não vacilar. E não vacilarei!
Como disse no meu primeiro comunicado, tempos conturbados aguardam a RTP com a anunciada aquisição de parte do seu capital com o figurino que tem sido divulgado. Cabe aqui uma palavra especial de apoio a todos os trabalhadores da Televisão e da Rádio Públicas nesta hora tão incerta. O clima de medo instalado faz com que muitos estejam em silêncio. Que ninguém se iluda. Depois de mim outros serão atingidos.
É certo que a cortina de fumo que o meu caso acaba por constituir tem indiscutível oportunidade para desviar as atenções da opinião pública, mas sei, também que esta está hoje e mais do que nunca, até pela situação que o país atravessa, atenta e pronta para intervir."
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Henry Charles Bukowski Jr.
"Vies de merde" ("Trashcan Lives")
le vent souffle fort ce soir
un vent glacial
et je pense aux
copains à la rue.
j’espère que quelques-uns ont une bouteille
de rouge.
c’est quand on est à la rue
qu’on remarque que
tout
est propriété de quelqu’un
et qu’il y a des serrures sur
tout.
c’est comme ça qu’une démocratie
fonctionne :
on prend ce qu’on peut,
on essaie de le garder
et d’ajouter d’autres biens
si possible.
c’est comme ça qu’une dictature
aussi fonctionne
seulement elle a soit asservi soit
détruit ses
rebuts.
nous on se contente d’oublier
les nôtres.
dans les deux cas
le vent
est fort
et glacial.

"O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece."
"Um bom poeta pode fazer uma alma despedaçada voar."
"Mulheres: gostava das cores de suas roupas; do jeito delas andarem; da crueldade de certas caras. Vez por outra, via um rosto de beleza quase pura, total e completamente feminina. Elas levavam vantagem sobre a gente: planejavam melhor as coisas, eram mais organizadas. Enquanto os homens viam futebol, tomavam cerveja ou jogavam boliche, elas, as mulheres, pensavam na gente, concentradas, estudiosas, decididas: a nos aceitar, a nos descartar, a nos trocar, a nos matar ou simplesmente a nos abandonar. No fim das contas, pouco importava; seja lá o que decidissem, a gente acabava mesmo na solidão e na loucura."
"Sentia-me contente por não estar apaixonado, por não estar
contente com o mundo. Gosto de estar em desacordo com tudo. As pessoas apaixonadas tornam-se muitas vezes susceptíveis, perigosas. Perdem o sentido da realidade. Perdem o sentido de humor. Tornam-se nervosas, psicóticas, chatas. Tornam-se, mesmo, assassinas."

"É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia de um copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom, bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa."
"A diferença entre uma democracia e uma ditadura consiste em que numa democracia se pode votar antes de obedecer ás ordens."
"...sabia que tinha alguma coisa fora do lugar em mim. Eu era uma soma de todos os erros: bebia, era preguiçoso, não tinha um deus, idéias, ideais, nem me preocupava com política. Eu estava ancorado no nada, uma espécie de não-ser. E aceitava isso. Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante, dava muito trabalho. Eu queria mesmo um espaço sossegado e obscuro pra viver a minha solidão. Por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo e não conseguia nada. Um tipo de comportamento não se casava com o outro. Pouco me importava."
"Intelectual é aquele que diz uma coisa simples de um jeito complicado. Artista é quem diz uma coisa complicada de um jeito simples."
"...todos nós temos essa racha nas costas, certo? lá embaixo mais ou menos no meio, certo? a merda espirra por ali, certo? ou pelo menos a gente espera que espirre! é tirar a nossa merda, e estaremos mortos! pensem em quanta merda a gente caga numa vida inteira! a terra, no momento, absorve toda ela! mas os mares e os rios estão ameaçando suas próprias vidas engolindo nossa merda! nós somos imundos, imundos, imundos! eu odeio todos nós. toda vez que limpo a bunda, odeio a nós todos."

"A verdade é que somos umas monstruosidades. Se pudéssemos nos ver de verdade, saberíamos como somos ridículos com nossos intestinos retorcidos pelos quais deslizam lentamente as fezes... enquanto nos olhamos nos olhos e dizemos: 'Te amo'. Fazemos e produzimos uma porção de porcarias, mas não peidamos perto de uma pessoa. Tudo tem um fio cômico."

"somos todos loucos,
loucos pela glória
loucos pela liberdade
nós, os loucos,
só podemos rir ou chorar
cegos para a mentira,
para a ilusão e insanidade".
"Se você vai tentar, vá com tudo
Senão, nem comece.
Se você vai tentar, vá com tudo
Isso pode significar perder namoradas,
esposas, parentes, empregos
e talvez a cabeça.
Vá com tudo.

Isso pode significar ficar sem comer por 3 ou 4 dias
Pode significar passar frio num banco de praça
Pode significar cadeia, menosprezo, insultos, isolamento.
Isolamento é o presente
todos os outros são um teste da sua resistência
de quanto você realmente quer fazer isso.
E você vai fazer
Apesar da rejeição e dos piores infortúnios
E isso será melhor do que qualquer coisa
que você possa imaginar.
Se você vai tentar, vá com tudo.
Não há outro sentimento como esse.
Você ficará sozinho com os deuses
e as noites irão flamejar como fogo.
Faça, Faça, Faça
Vá com tudo, por todos os caminhos
Você cavalgará a vida direto até a gargalhada perfeita
essa é a única boa luta que existe."
"Somos finos como papel. Existimos por acaso entre as porcentagens, temporariamente. E esta é a melhor e a pior parte, o fator temporal. E não há nada que se possa fazer sobre isso. Você pode sentar no topo de uma montanha e meditar por décadas e nada vai mudar. Você pode mudar a si mesmo para ser aceitável, mas talvez isso também esteja errado. Talvez pensemos demais. Sinta mais, pense menos."

"Eu podia ver a estrada à minha frente. Eu era pobre e ficaria pobre. Mas eu não queria particularmente dinheiro. Eu sequer sabia o que desejava. Sim, eu sabia. Queria alguma lugar para me esconder. Um lugar onde ninguém tivesse que fazer nada. O pensamento de ser alguém na vida não apenas me apavorava como me deixava enojado. Pensar em ser um advogado, um professor ou um engenheiro, qualquer coisa desse tipo, parecia-me impossível. Casar, ter filhos, ficar preso a uma estrutura familiar. Ir e retornar de um local de trabalho todos os dias. Era impossível. Fazer coisas, coisa simples, participar de piqueniques em famílias, festas de Natal, 4 de Julho, Dia do Trabalhador, Dia das Mães...afinal, é pra isso que nasce um homem, para enfrentar essas coisas até o dia de sua morte? Preferia ser um lavador de pratos, voltar para a solidão de um cubículo e beber até dormir."
"Que tempos difíceis eram aqueles: ter a vontade e a necessidade de viver, mas não a habilidade."
"O amor é cheio de significados. O sexo é significativo por si só."
"Quem inventou a escada rolante? Degraus que se movem. E depois falam de loucura. Pessoas subindo e descendo em escadas rolantes, elevadores, dirigindo carros, tendo portas de garagem que se abrem ao tocar de um botão. Depois elas vão para as academias queimar a gordura. Daqui a 4.000 anos, não teremos mais pernas, nos arrastaremos sobre nossas bundas, ou talvez só rolemos como tumbleweeds. Cada espécie destrói a si mesma. O que matou os dinossauros foi que eles comeram tudo à sua volta e depois tiveram que comer uns aos outros e com isso só um restou e o filho da puta morreu de fome".

"Não existe melhor espetáculo que os outros, e nem precisa pagar entrada."
"Acho que viver com mulheres loucas faz bem para a espinha."
"Algumas pessoas nunca enlouquecem. Que vida de merda elas devem ter."
"Caí em meu patético período de desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligavam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual.
Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali."
"Como qualquer um pode lhe dizer, não sou um homem muito bom. Não sei que palavra usar para me definir. Sempre admirei o vilão, o fora-da-lei, o filho-da-puta. Não gosto dos garotos bem barbeados com gravatas e bons empregos. Gosto dos homens desesperados, homens com dentes rotos e mentes arruinadas e caminhos perdidos. São os que mais me interessam. Sempre cheios de surpresas e explosões. Também gosto de mulheres vis, cadelas bêbadas que não param de reclamar, que usam meias-calças grandes demais e maquiagens borradas. Estou mais interessado em pervertidos do que em santos. Posso relaxar com os imprestáveis, porque sou um imprestável. Não gosto de leis, morais, religiões, regras. Não gosto de ser moldado pela sociedade."
"Fiquei pensando como eram difíceis as separações. Mas, era só mesmo rompendo com uma mulher que se podia encontrar outra. Eu precisava degustar as mulheres para conhecê-las bem, pra entrar no âmago delas. Eu conseguia inventar homens na minha cabeça, pois era um deles; mas, as mulheres, era quase impossível escrever sobre elas sem as conhecer de fato. Assim, eu as pesquisava intensamente, e sempre descobria seres humanos lá dentro. Deixava a escrita de lado. A escrita representava muito menos que o episódio vivido em si, até que terminasse. A escrita era apenas o resíduo. Homem nenhum precisava de mulher pra se sentir real de verdade, mas era bem legal conhecer algumas. Daí, quando o caso ia mal, o sujeito conhecia pra valer o que era a solidão e a loucura, e assim ficava sabendo o que o esperava quando seu próprio fim chegasse..."
"Me sinto bem em não participar de nada. Me alegra não estar apaixonado e não estar de bem com o mundo. Gosto de me sentir estranho a tudo."

"A Terra inteira não era nada além de bocas e cus, engolindo, cagando e fodendo."
"Não existem guerras boas nem más. A única coisa ruim a respeito de uma guerra é perdê-la. Todas as guerras foram lutadas por uma pretensa Boa Causa, reivindicada por ambos os lados. Mas apenas a Causa do vencedor se torna a Causa Nobre para a História. Não é uma questão de quem está certo ou errado, é uma questão de quem tem os melhores generais e o melhor exército."
Sozinho com todo mundo
A carne cobre o osso
e eles colocam uma mente
dentro e
às vezes uma alma,
e as mulheres quebram
vasos contra as paredes
e os homens bebem
demais
e ninguém acha
alguém
mas continuam
procurando
não há chance
no final das contas:
estamos todos emboscados
por um destino
em comum.
ninguém nunca encontra
ninguém.
depressão preenchida
ferros velhos preenchidos
hospícios preenchidos
hospitais preenchidos
túmulos preenchidos
nada
preenchido.
Gosto.
Osho escreveu:
" A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz cor, que significa "coração". Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas - com teologia, conceitos, palavras, teorias - e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem.
" A palavra coragem é muito interessante. Ela vem da raiz cor, que significa "coração". Portanto, ser corajoso significa viver com o coração. E os fracos, somente os fracos, vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica. Com medo, fecham todas as janelas e portas - com teologia, conceitos, palavras, teorias - e do lado de dentro dessas portas e janelas, eles se escondem.
O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Coragem é seguir trilhas perigosas. A vida é perigosa. E só os covardes podem evitar o perigo – mas aí já estão mortos. A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido. O perigo está presente, mas ela assumirá o risco. O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador. A cabeça é um homem de negócios. Ela sempre calcula – ela é astuta. O coração nunca calcula nada.''
E eu acrescento em transparência que, com isto tudo não sou púdica da minha alma nem do meu coração.
domingo, 9 de dezembro de 2012
Natal
Não sou católica, não sou baptizada, no entanto recebi essa educação: missas, escolas privadas católicas até escuteiros. Mas passeei por muitas religiões até ser adulta. Frustrada, acabei por encontrar a minha. A religião da minha consciência.
Justificar a seia de natal como motivo de partilhar um convívio agradável familiar com troca de prendas... Obviamente não passa um natal sem as zangas do costume, que acabam por se tornar rituais e das quais acabamos por nos rir, mas sem lhes escapar.
Tive que me esforçar como o caraças para dar um ar de festa à minha casa este ano, o que não fazia há 3 anos. Acabei por me convencer de o fazer embora sem grande espírito. Porque não gosto de fingir. E o resultado está muito giro à vista mas não fico satisfeita do falso brilho aparente. E já há uns anos que natal já não é natal quando nos tornamos uma família descomposta. Não é a questão de ser egoísta e de não partilhar um bocado por cada, porque é só tema de logística e de desdramatizar o que pode se simplificar. A questão é tudo o que envolve o pior do ser humano, gerir os traumatizados adultos sem bom senso e tentar ao máximo a não percepção de quem não tem que pagar pelas estupideces imaturas embora haja todo um sistema de radares emocionais e naturais que lêem tudo. Misturados com inúmeras questões independentes mas paralelas ao evento, todas desagradáveis, acaba por ser uma não-vontade à alegria que costumava dar a tudo enquanto é festa. Não estou triste. Estou assustadoramente insensível e não gosto. Acabo por não dar importância nenhuma. E não sei se é bom ou mau.
Justificar a seia de natal como motivo de partilhar um convívio agradável familiar com troca de prendas... Obviamente não passa um natal sem as zangas do costume, que acabam por se tornar rituais e das quais acabamos por nos rir, mas sem lhes escapar.
Tive que me esforçar como o caraças para dar um ar de festa à minha casa este ano, o que não fazia há 3 anos. Acabei por me convencer de o fazer embora sem grande espírito. Porque não gosto de fingir. E o resultado está muito giro à vista mas não fico satisfeita do falso brilho aparente. E já há uns anos que natal já não é natal quando nos tornamos uma família descomposta. Não é a questão de ser egoísta e de não partilhar um bocado por cada, porque é só tema de logística e de desdramatizar o que pode se simplificar. A questão é tudo o que envolve o pior do ser humano, gerir os traumatizados adultos sem bom senso e tentar ao máximo a não percepção de quem não tem que pagar pelas estupideces imaturas embora haja todo um sistema de radares emocionais e naturais que lêem tudo. Misturados com inúmeras questões independentes mas paralelas ao evento, todas desagradáveis, acaba por ser uma não-vontade à alegria que costumava dar a tudo enquanto é festa. Não estou triste. Estou assustadoramente insensível e não gosto. Acabo por não dar importância nenhuma. E não sei se é bom ou mau.
FechaBoca
Comecei em 2008. Não, não sou uma antiga viciada. O vício veio depois. Mas era o que as minhas irmãs utilizavam para inter-comunicar virtualmente e sobretudo partilhar fotos para não perder a evolução física e o contacto visual de quem cresce e envelhece. A rede foi crescendo e além dos familiares longe com quem mantém-se contacto, reencontrei amigos de infância com quem andei na escola, ou partilhei as fases do crescimento, são emoções de alegria muito agradáveis voltar a lembrar os momentos, é claro, nesta altura é o "bom tempo". Por aqui então, juntam-se os amigos e conhecidos, os e passaram por nós num invento pontualmente e os curiosos. Não tenho nada a esconder mas não aceito quem não conheço (excepto umas situações que falarão mais tarde um dia) porque não estou a promover nem o meu trabalho nem a minha pessoa e porque sirvo-me do FB como local de partilha, de troca, de informação, de curiosidade, de convívio na medida consciente do que é. Sim, já concluí que passo sem TV mas não passo sem PC, mas isso, ainda remedia-se quando tratado atempadamente. Mesmo assim, consigo não ir 2 ou 3 dias com acesso a mão... (foguetes!) E se estiver sem acesso, passo muito bem sem consultar. Digo consultar que estranhamente assim verifico muito rapidamente se está tudo bem. Não que seja "Super-Mulher" para resolver seja o que for mas de uma vista de olhos consigo ter uma percepção do estado de espírito dos componentes da MINHA rede. E Interajo ou não. E partilho ou não o que me apetece com, ao meu ver, bom senso. Obviamente não exponho todos os meus factos e gestos diários além de algumas fotos que testemunham por vezes para lembrança e guardo as minhas coisas para quem eu quiser com quem eu quiser partilhar fora do meio. O FB não substitui as relações familiares ou amicais, os telefonemas e convívio REAIS ao vivo em directo live. A verdade é que FB aproxima quem está longe mas afasta quem está perto. E eu quero a primeira parte mas não quero a segunda. Portanto faço para não se verificar comigo.
E depois como em tudo, há a outra parte facebookiana.
A que não gosto.
Quando leio ouço ou vejo notícias com referência FACEBOOK. Isso choca-me. O Presidente da República faz uma declaração via FB, ou fulano tal comentou não sei quê. As personalidades públicas não têm meios a traves da comunicação social de expressar ou de emitir uma declaração? Escondem-se também a trás do mundo virtual? Isso é grave. Ou assustador. Pelo menos para mim. Mas lá está, os jornalistas é que dão a importância que lhe querem dar.
A da cusquice e malandrice, a da denúncia maldosa, a da cobardice de quem fala unicamente com os dedos a trás do ecrã mas na realidade, quero dizer na vida real, "está quieto o bife" e há quem utiliza o meio para difamar, para vitimizar-se, para lavar a roupa suja em público de assuntos pessoais que não estão para aí chamados e que no fundo só prejudicam a eles próprios mas enfim cada um é livre de comportamentos associados a nível da mente, acompanhada e ligada indissociavelmente do corpo. Assim, atingem a felicidade para somar 6 "gosto's" e 4 comentários de apoio. Assim desculpem algumas atitudes inapropriadas de difamação do vizinho. Mas tudo em cobardia obviamente, porque o medo de estar a comportar correctamente não é do senso comum. Muito melhor, a dramatização via FB, a intrigue e o escândalo de escala facebookiana é o que alimenta com gosto o povo (este mesmo povo que gosta de Shit brother e casa dos coitados) que de pegar na coragem e no bem senso e resolver conversando. Isso não porque pode resolver-se bem e parecer mal. Há quem manda os "Bitytes", as provocações a pensar que vai salvar o mundo e ganhar boa opinião pública a mandar foguetes mas só fica aí, depois não se justifica nem se argumenta pessoalmente foi só para parecer bem frente à rede mas na realidade são quietos que nem os cordeirinhos quando é ao vivo e que acabam por mesmo se zangarem mesmo via FB.
Quando leio ouço ou vejo notícias com referência FACEBOOK. Isso choca-me. O Presidente da República faz uma declaração via FB, ou fulano tal comentou não sei quê. As personalidades públicas não têm meios a traves da comunicação social de expressar ou de emitir uma declaração? Escondem-se também a trás do mundo virtual? Isso é grave. Ou assustador. Pelo menos para mim. Mas lá está, os jornalistas é que dão a importância que lhe querem dar.
A da cusquice e malandrice, a da denúncia maldosa, a da cobardice de quem fala unicamente com os dedos a trás do ecrã mas na realidade, quero dizer na vida real, "está quieto o bife" e há quem utiliza o meio para difamar, para vitimizar-se, para lavar a roupa suja em público de assuntos pessoais que não estão para aí chamados e que no fundo só prejudicam a eles próprios mas enfim cada um é livre de comportamentos associados a nível da mente, acompanhada e ligada indissociavelmente do corpo. Assim, atingem a felicidade para somar 6 "gosto's" e 4 comentários de apoio. Assim desculpem algumas atitudes inapropriadas de difamação do vizinho. Mas tudo em cobardia obviamente, porque o medo de estar a comportar correctamente não é do senso comum. Muito melhor, a dramatização via FB, a intrigue e o escândalo de escala facebookiana é o que alimenta com gosto o povo (este mesmo povo que gosta de Shit brother e casa dos coitados) que de pegar na coragem e no bem senso e resolver conversando. Isso não porque pode resolver-se bem e parecer mal. Há quem manda os "Bitytes", as provocações a pensar que vai salvar o mundo e ganhar boa opinião pública a mandar foguetes mas só fica aí, depois não se justifica nem se argumenta pessoalmente foi só para parecer bem frente à rede mas na realidade são quietos que nem os cordeirinhos quando é ao vivo e que acabam por mesmo se zangarem mesmo via FB.
Também há quem se auto-promove. Normalmente, não fazem mal a ninguém (tirando a eles próprios), a procura de um bocado de admiração, de protagonismo e de um bocado de atenção por falta de auto-estima e de auto-suficiência. Felicidade absoluta quando atingidos os 100 "gosto´s" e orgasmo imparável e incomparável quando ultrapassados os 200. O objectivo (a primeira vista inocente) é ter um bocado de sucesso como quem tem uma página para os fãs esfomeados de vida pessoal que (não têm) devoram a dos outros. Atenção, auto-promoção excessiva pode prejudicar a serenidade mental.
Há quem utiliza o meio como suporte promocional de produtos e serviços, aí também não prejudicam a ninguém, só são os primeiros a cuscar, não dão a cara e ficam escondidos a trás da marca ou do nome do comercio. Perigoso, quando se vem a descobrir quem está verdadeiramente a administrar a página e que no fundo quer ver o que não quer mostrar.
Constata-se os observadores e analistas, entretanto viram pro, com a medição dos gostos de uns nos outros, a dissecação ao pormenor das palavras, pontuação e caracteres dos comentários, estes também entram nos companheiros e namoradores ciumentos, os obsessivos, doentes e os desconfiados.
Há a parte completamente assustador que é de utilizar o FB como meio de informação pessoal. Exibir, expor de forma excessiva e abusiva para impor e acalmar os medos e as inseguranças, justificar o que se quer ser e o que se quer ter via FB. Então ainda vá lá que posso ainda não me questionar tanto quando é um desportista ou uma cantora na moda a metralhar de anexos ou fotos explicitas de com quem se deitam por questão marketing e é o "já faz parte" ou sou eu que não quero dar importância porque não conheço as pessoas pessoalmente.
Há quem publica, comenta ou gosta e depois arrepende-se. Então tira. Pode prejudicar-se pessoalmente ou profissionalmente. Pois já há divórcios, despedimentos graças ao FB. Digo Graças, porque para chegar a este ponto, ou foi bem feito ou estavam mal casado ou mal empregado.
E a lista poderia continuar até não acabar porque é muito divertido. Claro que é de modo exagerado, que somos todos um bocado disto e daquilo, que demos, percebemos, partilhamos e tiramos do Facebook o que queremos, a verdade é que é um meio moderno de comunicação, e mesmo assim conheço muito gente que não tem, fica só ter a consciência do que é e de não passar para o outro lado, o pior, isso é que é importante.
Há quem publica, comenta ou gosta e depois arrepende-se. Então tira. Pode prejudicar-se pessoalmente ou profissionalmente. Pois já há divórcios, despedimentos graças ao FB. Digo Graças, porque para chegar a este ponto, ou foi bem feito ou estavam mal casado ou mal empregado.
E a lista poderia continuar até não acabar porque é muito divertido. Claro que é de modo exagerado, que somos todos um bocado disto e daquilo, que demos, percebemos, partilhamos e tiramos do Facebook o que queremos, a verdade é que é um meio moderno de comunicação, e mesmo assim conheço muito gente que não tem, fica só ter a consciência do que é e de não passar para o outro lado, o pior, isso é que é importante.
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Então ná?
Esta cena podia claramente ter sido filmado em minha casa, mas não foi porque não sou a Mariah Carey. ISso, obviamente, não tem nada a ver com a voz, já que a minha e o meu sentido de ritmo musical são quase indissociáveis dos da Mariah (olha a confiança, hã), mas sim com o equipamento corporal. Nunca conseguirei esta cor de cabelo, airbags suspensos com estrelas coladas. De resto, tudo igual. Ou quase.
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Rotina :D
Depois de ter esquecido as chaves dentro de casa, de ter entrada pela janela com ajuda de uma amiga, de ter batida de gatas mas com a cabeça na esquina da mesa de 2m50 de madeira e de ter ganho um galo azulado na testa, de ter o pescoço bloqueado, de ter partida a chave do correio dentro da fechadura da caixa do correio, de ter um radiador que rebentou-me de não sei o quê de preto nos cortinados e afins, de limpar água no chão que não tenho a certeza se vem da chuva pela janela, de me aplicar e exceder a confeccionar uma maravilhoso bacalhau assado no forno com batatas a murro e uma mousse deliciosa de caramelo que só eu que gostei e de ouvir: é normal de roer as unhas porque tu não sabes o que é, tu, de ter, fazer e receber testes na escola... vou dormir. :)
Conversa de café
-Toda gente me pergunta como é que emagreci e qual é a minha dieta. Respondo que é muito fácil, chega divorciar-se e o dia seguinte, ficar a saber à porta da escola do meu filho por outra mãe que não sabia que não sabia que, além de ter sido enganada, a amante estava grávida de três meses de gémeos.
-Aaaah... pois... Mas afinal foi o teu ex-marido que falhou o nascimento dos gémeos concebidos enquanto estavam casados e foi o ex-marido da amante do teu ex-marido que levou a futura mãe dos filhos do teu ex-marido à maternidade a 150 kms de casa?
-Sim... Ele estava de férias com os filhos...
-Ahhh.... Isso é o máximo.
-Aaaah... pois... Mas afinal foi o teu ex-marido que falhou o nascimento dos gémeos concebidos enquanto estavam casados e foi o ex-marido da amante do teu ex-marido que levou a futura mãe dos filhos do teu ex-marido à maternidade a 150 kms de casa?
-Sim... Ele estava de férias com os filhos...
-Ahhh.... Isso é o máximo.
Piu piu piu piu!
O papa, depois da história da vaca, do burro e da virgem ataca-se agora ao pássaro. Sim sim, desde ontem tem conta Twitter, nenhuma mensagem ainda publicada mas conta já só 110 000 seguidores... Vai "Twittar" em 8 línguas e e o primeiro recadinho será no 12/12/12.
Ilustração de Arcadio.
A mim, só me desperte a vontade de ver o papa fazer esta publicidade:
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
Há Paises e paises, há povos e povos e há pessoas e pessoas.
Da mesma forma que mal se falou de Cuba, Bahamas, Haiti, Jamaica ou República Dominica enquanto da actuação do furacão Sandy, mas sim praticamente só dos Estados Unidos, não vi em lado nenhum informação sobre o terremoto que sacudiu o norte da Argélia na passada quinta feira como o relata o site de informações Algerie1. Nem o próprio pais se preocupou com o acontecido, focado sobre as "eleições locais", de tal desprezo que os activistas do "Governo Provisório da Kabylie" grita ao escândalo e condena de "não assistência à pessoa em perigo em nome das eleições locais. Os serviços públicos não prestaram nenhum socorro nem aos feridos nem aos desalojados.
LIKE LIKE LIKE.
John Dean said:
"A man chooses a great woman as part of a Spiritual journey to bump up to a higher level. A great woman is the inspiration. If a man chooses a lesser woman for lower chakra reasons–i.e. casual sex for example, he does not want to do the work required to shift his consciousness into being a great man. You can always see the character of the man by the woman he chooses. We live in a throw away society. Most don’t want to work hard to grow when the grass is greener..."
"A man chooses a great woman as part of a Spiritual journey to bump up to a higher level. A great woman is the inspiration. If a man chooses a lesser woman for lower chakra reasons–i.e. casual sex for example, he does not want to do the work required to shift his consciousness into being a great man. You can always see the character of the man by the woman he chooses. We live in a throw away society. Most don’t want to work hard to grow when the grass is greener..."
domingo, 2 de dezembro de 2012
Ah é? Medo! Não pela notícia mas pela sua classificação temática.
Separador "ECONOMIA" da TVI24:
"Cristiano Ronaldo renova contrato com BES até 2014."
Malandro do Rogério, estragou A FESTA.
Num peça informativa da TVI 24 sobre o Primeiro ministro em cabo verde para a cimeira luso-caboverdiana, vejo o PPC, (uffah!) até que enfim, a dar e receber apertos de mãos e mergulhar num banho de povo como um herói nacional, verdade, é que já havia tanto tempo... Que bom! Quando de repente, um emigrante, Rogério Sena, entregou-lhe uma carta, a expressar a sua tristeza e pena de estar lá e não cá, longe da família. E neste preciso momento, decomposição imediata da expressão facial da alegria do PPC, desfez-se logo da carta a um assistente ou segurança mais próximo e demorou a recuperar a máscara de cara feliz.
Pois é querido, a sua vida deve ser tão difícil, né?
Foi o senhor que aconselhou ao povo português a emigrar e deixar Portugal, lembra-se?
Portanto, há de ir seja onde for, há de se lembrar que em qualquer sítio do mundo há um português que obrigou a ir embora.
Não se esquece.
AAAAAAAAHHHGGGGGRRRRHHHH! Detesto.
Só de ver, senti angústia, paragens respiratórias e MEDO. Aahhhggrr! Que horror! Não Gosto N A D I N H A. Esta adrenalina não me agrada nada. LOUCOS. Doidos. Não quero saber nada disto. Não quero ver nada disto. Ainda estou a recuperar o fôlego.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Admiração
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