terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Escolha em conjunto...



Notícia do Público de hoje: 

Marc e Eddy ficaram felizes quando souberam o dia da sua morte

Gémeos surdos, de 45 anos, souberam que iam ficar cegos em breve. A impossibilidade de voltarem a ver-se tornou-se insuportável e pediram para morrer. Um hospital belga aceitou o seu pedido de eutanásia. Morreram por injecção letal em Dezembro.
Marc e Eddy Verbessem morreram por injecção letal num hospital belga GAZET VAN ANTWERPEN
Eddy Verbessem, gémeos, surdos, de 45 anos, morreram no passado dia 14 de Dezembro na Bélgica. Morreram por que pediram para morrer. Além da sua surdez, descobriram que estavam a perder a visão e que iriam ficar cegos. Saber que em breve deixariam de poder ver-se e assim perder a única forma de comunicação, um código de linguagem gestual criado pelos dois, foi “insuportável”, segundo a família. Na segunda vez que recorreram aos médicos para que lhes fosse concedida a eutanásia, o pedido foi aceite. Mas num país onde a morte assistida é legal, este foi um caso considerado excepcional, já que nenhum dos homens sofria de uma doença terminal ou dor física permanente. É o primeiro caso de eutanásia de gémeos que se conhece no mundo

Eram inseparáveis, partilhavam um apartamento em Putte, norte da Bélgica, que mantinham impecavelmente limpo, cozinhavam e conseguiam comunicar através de uma linguagem gestual que criaram. Trabalhavam como sapateiros. “Viviam juntos. Faziam a comida e limpezas. Podíamos comer no chão. A cegueira ia torná-los totalmente dependentes e eles não queriam ir para uma instituição. O enorme medo de que nunca mais se poderiam ver, ou ouvir, nem à família, era insuportável para os meus irmãos”. O testemunho citado pelo Daily Telegraph é do irmão mais velho dos gémeos, Dirk Verbessem, que ao contrário dos pais, apoiou aquele que passou a ser o único objectivo na vida de Marc e Eddy nos últimos meses. Porquê? “Muito perguntarão por que os meus irmãos optaram pela eutanásia, quando há tantos cegos e surdos que têm uma vida normal. Mas os meus irmãos enfrentaram doença atrás de doença. Estavam exaustos”. Os gémeos estavam a perder a visão devido a um glaucoma (uma doença do nervo óptico que leva à cegueira). Eddy tinha ainda uma deformação da coluna vertebral e recentemente tinha sido submetido a uma cirurgia ao coração.
Terão sido estes os argumentos que levaram os médicos a aplicar uma injecção letal aos dois irmão no dia 14 de Dezembro, no Hospital da Universidade de Bruxelas, em Jette. Antes, o hospital da sua área de residência recusou-se a fazê-lo, justificando a decisão com a lei do país para a morte assistida. Segundo o Daily Telegraph, o hospital alegou que “existe de facto uma lei [que permite a eutanásia] e que é aberta a muitas interpretações”. “Se a qualquer cego ou surdo for permitida a eutanásia, não estamos no bom caminho”, defenderam, por outro lado. Para os médicos a quem foi feito o primeiro pedido de eutanásia, o caso dos gémeos não podia ser entendido como um caso de “sofrimento insuportável”, uma das condições que a lei belga exige para que a eutanásia seja concedida.
Ao jornal britânico, Chris Gastmans, professor de ética médica na Universidade Católica de Leuven, sustentou que aceitar a eutanásia num caso como este coloca várias questões, nomeadamente se será a “única resposta que se pode dar em situações como esta”. “Neste caso, como eticista sinto-me desconfortável. Hoje, parece que a eutanásia é o único caminho correcto para terminar com uma vida. Não penso assim. Numa sociedade tão saudável como a nossa, devemos encontrar outra forma de responder à fragilidade humana”.
Wim Distelmans, o medico que aceitou o pedido dos gémeos e que autorizou o processo, disse apenas sobre o caso ter a certeza que “os gémeos reuniam todas as condições para recorrer à eutanásia”.
Como apoio ou sem apoio da família, Marc e Eddy estavam felizes quando lhes foi dita a data em que iriam morrer. “Estavam muito felizes. Ficaram aliviados com o fim do seu sofrimento”, contou David Duford, um dos médicos da equipa do Hospital da Universidade de Bruxelas, à estação de televisão RTL. A despedida da família foi feita de uma “forma serena e bonita”, revela ainda o médico. No seu adeus, os gémeos olharam um para o outro e fizeram um último gesto de despedida. Morreram pouco depois por injecção letal. Os seus corpos foram depois cremados e as suas cinzas colocadas em urnas idênticas, lado-a-lado.
Além da Bélgica, apenas a Holanda permite legalmente que uma pessoa possa morrer por sua vontade expressa em casos de doença terminal ou sofrimento físico intolerável e que sejam confirmados pelos médicos. A Suíça tolera o suicídio assistido, tendo que ficar garantido que o doente que o pede e a equipa que o ajuda não têm interesse na morte.
Após a morte dos gémeos, os socialistas belgas apresentaram uma emenda à lei da eutanásia. Se for aprovada, a morte assistida poderá ser pedida por menores, “que tenham capacidade de discernimento” para tomar essa decisão, e aplicada a doentes de Alzheimer.

domingo, 13 de janeiro de 2013

"Por causa da muralha, nem sempre se consegue ver a lua"

O tempo que corre, corre, corre, corre e que não pára.
As pessoas que passam, passam, passam, passam por nós e que não vemos.
A rotina que angustia, angustia, angustia, angustia e que não dá descanso.
Os encontros e desencontros permanentes que falhamos, falhamos, falhamos, falhamos e que não apanhamos.

STOP! Vamos lavar a alma superficialmente para ganhar boa consciência.

Os erros passados que pesam, pesam, pesam, pesam e que não corrigimos.
Os leaders fictícios, falsos e brilhantes que seguimos, seguimos, seguimos e que não distanciamos.
A festança louca para esquecer onde bebemos, bebemos, bebemos, bebemos e que não alivia o stress o dia seguinte.
O efeito de massa da bola, soltamos, soltamos, soltamos, soltamos e que não prolonga o prazer.

STOP! Vamos lavar a alma superficialmente para ganhar boa consciência.

As revoltas pessoais que são sussurradas, sussurradas, sussurradas, sussurradas e que não dissemos.
Os sonhos que visualizamos, visualizamos, visualizamos, visualizamos e que não realizamos.
Os sopros que demos, demos, demos, demos e que não respiramos em conjunto.
As tradições e obrigações que praticamos, praticamos, praticamos, praticamos e que não percebemos.

STOP! As estações do ano deslizam. As folhas voam, a chuva caí, os sinos tocam, a pedra da história permanece, o peso da história passada arquiva-se e tudo recomeça.
O ritmo intensa da peça continua, as luzes, a música e o visual cegam de beleza.

"POR CAUSA DA MURALHA NEM SEMPRE SE CONSEGUE VER A LUA",  espectáculo do Teatro Meridional, ao convite de Guimarães, Capital Europeia da Cultura 2012, o espectáculo tem Guimarães como centro do mundo onde qualquer um se encontra algures na origem.

Adorei e recomendo este Maravilhoso espectáculo onde a corrida da vida que passa por nós está a vista, vibração, muito movimento de corpo, dança e coordenação do ritmo contagiante dos actores sempre com música original, em cena no Teatro Meridional.



Reservas 218689245 / 918046631 ou e-mail geral@teatromeridional.net

"POR CAUSA DA MURALHA, NEM SEMPRE SE CONSEGUE VER A LUA" - De 09 de janeiro a 3 de fevereiro no TM! 

Sobre o espectáculo 

Guimarães como centro do mundo, inimitável, insubstituível, palco de uma humana energia que retorna ciclicamente, plena de silenciosas cumplicidades por entre as pedras da calçada, interioridade e aparência, espaços nus clamando presenças vivas, e os sinos, eternos, solidamente implacáveis, companheiros de todas as horas, como um rio subterrâneo a lembrar a memória de que ontem será sempre amanhã também.

Criação Teatro Meridional
Encenação e Desenho de Luz Miguel Seabra
Interpretação Carla Galvão Romeu Costa Rui M. Silva Rui Rebelo Susana Madeira Vitor Alves da Silva
Espaço Cénico e Figurinos Marta Carreiras
Música Original, Espaço Sonoro e Seleção Musical Rui Rebelo
Coprodução Teatro Meridional – Associação Meridional de Cultura e Guimarães – Capital Europeia da Cultura 2012



Sérieusement dit par un bel écrivain.

Les chances perdues font autant partie de la vie que les chances saisies, et une histoire ne peut s’attarder sur ce qui aurait pu avoir lieu. 

 Paul Auster.

LX, 04-11-2012. @kabg









Terapia do Tango.

A aprendizagem do Tango, onde a ligação com o outro é essencial, é utilizada nos hospitais argentinos como terapia para permitir aos doentes mentais ou aos reformados de voltar a ligar-se ao mundo, a vida.

A coordenadora do Ateliê de Tango do Hospital Psiquiátrico Borda de Buenos Aires diz que o facto de abraçar o outro torne o tango especial criando uma espécie de relação amorosa. A sua magia ajuda a curar os doentes, obviamente que não cura tudo mas durante uma hora os doentes não têm alucinações e estão concentrados, ocupados a perfeccionar os passos de dança.
Também adaptados à terceira idade, ajuda a combater a depressão dos recentes reformados que de repente se encontram sem actividade.
A dois é melhor, sendo preciso ser dois para dançar o tango, e que em qualquer conflito as responsabilidades são partilhadas, daí a chave do efeito terapêutico do tango. Obrigando o doente a estabelecer uma relação com o outro, enquanto o outro não existia no seu mundo, diminui a psicose individual.
Não há tango sem o outro, e não há dança sem coordenação. O outro é necessário para dançar, bem como as regras, os passos, a figura. E a partir daí a magia faz efeito: com naturalidade os doentes vão ao encontro do outro para poder dançar abrem-se ao mundo que os rodeia.
Para os idosos o mais importante é o contacto no reencontro com o abraço do outro e a volta à vida

O Tango, declarado património da humanidade pela Unesco em 2009, nasceu no fim do XIX século em Buenos Aires e Montevideo.




Bad option.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Ícone.

Ícone, sim do império que ela criou.
Prova que o bom gosto e o senso comum é longe do bom senso porque o percurso pessoal como ser humano é bastante curioso e estranhamente esquecido e/ou perdoado pela opinião pública.
Mademoiselle Coco Chanel, rainha do mau feito e do genie de criação na sua área, inesquecível, firme e poderosa.





quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Positivo personae - brazilian scene.


Bom humor e boa disposição social tendem a ser a tónica da vida em sociedade. Estimular-se e harmonizar-se para dar uma dinâmica à vida emocional pessoal. Procurar cores mais leves passam a tonificar o seu emocional, e este não é apenas um momento socialmente interessante como, sobretudo, tende a ser uma fase de reações emocionais positivas.
É curioso observar como muitas vezes passamos dias, às vezes até meses e anos mergulhados numa chateação ou ressentimento. Remoemos aquilo, até que de repente - bum! - a coisa passa. Em geral, são nos ciclos positivos que a pessoa simplesmente "limpa o pó" e se livra de emoções chatas que não lhe servem mais. 
Daí a importância de conhecer gente nova, permitir-se trocar emoções com os outros, fazer coisas que lhe dão prazer. É bom, o intercâmbio de sentimentos, para a expressão das emoções, sobretudo com as pessoas mais íntimas, da família, os amigos mais chegados, ou os amores.

Paris1212@kabg



Except birds

paris1212@kabg

Silent film


Or take it all...


Just DO IT.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Índices sociológicos reveladores de envelhecimento da população.


- Quando os novos cabelos brancos temem a não ficar escondidos.
- Quando os nossos filhos cantam em inglês as últimas músicas em voga, das quais não fazemos a mínima ideia de quem canta. 
- Quando decoramos um único número de telemóvel (o nosso).
- Quando a nossa filha não se exprima de outra maneira além de "hoeã" (com cara de berk ka nojo!), cada vez que se refere a nós. 
- Quando temos um valente susto e desespero frente ao espelho de manhã e que temos que atacar um  obrigatório facelift. 
- Quando estamos numa discoteca e perguntamó-nos o que estamos lá a fazer.
- Quando a nossa filha usa a nossa roupa, anéis, relógios, pulseiras...
- Quando já não temos vergonha de dizer alto o que pensamos, com muito calma e diplomacia.
- Quando o nosso filho acha-se parecido com George Clooney.
- Quando já não se tem prazer a comer no Mac Donald, ou eventualmente, se come uma "sopa". No 
Macdo.
- Quando aceitamos de uma vez por todas, sem refilar, que o rolo de papel higiénico apresentará-se sem nenhuma folha, folhinha que de repente gostamos tanto, desvestido, nu, só o cartão do rolo assim, acabado, sempre connosco, quando mais precisamos e quando estamos sozinhos em casa. 
- Quando temos a rádio ligada nas notícias em vez da música.
- Quando descobrimos que o nosso filhinho teve negativa não por ele, mas sim pelo director de turma. A frente dos outros país. E quando confrontamos a criatura, ela responde: " Esqueci-me COMPLETAMENTE de te dizer..."
- Quando lemos declarações de amor dos nossos filhos que poderiam ter sido escritas por nós.
- Quando na FNAC dirigimo-nos, primeiro na secção dos livros em vez dos Cd's.
- Quando já temos saudades de ter uma criança ao colo.
- Quando os nossos filhos respondem: "Tens calma mãe! Não concordo contigo ou não é bem assim..." 
- Quando preocupamos com a terceira idade com carinho e sabemos as doenças todas, alzheimer, parkinson, osteoporose, insuficiência cardíaca etc...
- Quando podemos mandar lavar a loiça, levantar a mesa, arrumar roupa e varrer o chão como uma poderosa bruxa má! AHAHAHAHAHAHAHA!
- Quando não nos lembramos o que decidimos há meia hora a trás para o jantar.
- Quando os nossos filhos já não nos deixam entrar na casa de banho.
- Quando saímos de casa com 1784328 coisas na cabeça para o dia.
- Quando se fala do pessoal da TV, ditos os VIP's, não fazemos a mínima ideia de quem se está a falar.
- Quando temos uma luta interna entre o diabo e o anjo interno para ir correr. E que o diabo ganha.
- Quando falamos com jovens rapazes que as nossas filhas poderiam eventualmente gostar e que elas dizem: "Oh mãe! Nunca mais te digo nada!" E que nos respondemos: "Ainda ontem, disseste-me para socializar!" e elas acrescentam: " Sim! Mas para já com pessoas da tua idade e era a brincar! Depois, tu estavas no carro por estar frio enquanto todos os outros pais estavam na rua!" E nós, baixinho, hihihihi....
- Quando pensamos que temos uma visão das coisas muito mais nítida e certa que os outros. 
- Quando olhamos para trás com retrospectiva e podemos pensar em décadas, há 10, 20, 30 anos....
- Quando demos prioridade ao conforto e ao calor.
- Quando os nossos filhos não saem de casa sem se ter verificado a aparência 82498754634 vezes no espelho e perguntam se estão bem (bonitos).
- Quando as nossas filhas estudam sozinhas e são responsáveis sem ter que as mandar. Oí?
- Quando falamos com uma conhecida e percebemos que é a mãe da namorada do nosso filho e que  damos por nós em rezar (mesmo sem acreditar em nada) por favor que o filhinho se porte bem com a menina... 
- Quando a dignidade pessoal está a cima de tudo, baseada nos mais nobres e básicos valores humanos ganhados pela experiência pessoal.
- Quando o nível do perfume a 80 € estimado e oferecido desce. Obrigada Filhinha linda, a mãezinha a poupar e a comprar-lhe um F A N T Á ST I C O perfume (a 10 €) mas ela, querida, prefere o da mãe...
- Quando temos paciência e fazemos esforço tremendo para aturar a santa família.
- Quando trocamos sms's com os nossos filhos e a nossa mãe, ainda que não atina bem com isso.
- Quando temos pedido de amizade do FB das nossas vizinhas de 80 anos.
- Quando a comida saudável ganha à gulosice. 
- Quando aceitamos a realidade: o nosso filho já não será o primeiro da turma. 
- Quando já não caímos na do príncipe encantado, nem no super jogo para ganhar 100000000000 € na tv, nem na super máquina ou medicamentos para emagrecer.
- Quando home sweet home ou melhor, sofa sweet sofa é um objectivo do dia.
- Quando conseguimos apreciar as coisas simples que a natureza nos oferece.
- Quando não se tem medo, ou pelo menos, não nos sujeitarmos ao medo, ou por ter ultrapassado ou por não ser tarado.
- Quando temos o nosso próprio e pessoal style sem temer a opinião dos outros.
- Quando ouvimos a filha linda dizer "Um dia tenho que roubar o carro à mãe!"
- Quando não alimentamos o sofrimento.
- Quando sabemos aproveitar os que nos fazem bem.
- Quando não fingimos o que somos e que assumimos o que queremos.
- Quando conseguimos passar um dia inteiro sozinho connosco.
- Quando amamos a vida.



terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Publicidade de festa.


Não se queixe do que recebe, tem muito a ver com o que oferece.

As pessoas más não são as pessoas que sofreram mais, mas sim que têm pouca inteligência. Falo das pessoas que não gostam dos outros e que não gostam delas próprias, que são mesmo más, não daquelas que têm uns momentos humanos de perca de controlo. Falta de inteligência, de bom senso básico, no sentido que não percebem que é no amor e na paz que encontram o bem-estar e a serenidade, é portanto no que transmitam que se reflecte o que é devolvido. Ou seja da subjectiva interpretação das acções e acontecimentos.  Quem sofreu muito, apesar de a dor ser relativa, e que não sombreou nas dependências paralelas para esquecer ou não ter capacidade para carregar o peso das más lembranças, que não reproduziu o esquema da herança familiar no seu pior, só encontra mínima de estabilidade emocional e psicológica no amor de si e do próximo, na generosidade de um olhar com sorriso, de uma mão estendida que reconforta firmemente, de um ouvido atento que responde, de uma dança contagiante, de risos, de cantos, de energias positivas e optimistas, e isso, é prenda, e devolvido da melhor forma.

Diário de simples viagem.


Só vou contar o primeiro dia. Só de contar e de ler é cansativo, exaustivo e desesperante.

É claro que começou logo no comboio. Não, começou antes. Mas há sempre um antes, portanto vou fixar à saída de casa. Começa na rua com a chuva e o vento e a grande mala silenciosa das rodas na calçada portuguesa, brbrbrbrbrbrbrbrbrbrbbrbrbrbr tremido do chão nas rodas que parece que estamos a levar descarga eléctrica a cada passo. Portanto, discretamente e pouco molhada com o chapéu virado ao contrário a caminhar para a estação. Claro que tinha esticado o cabelo, que com chuva volta ao natural encaracolado mas nada fixe, tipo má onda mesmo. Acabo por deitar fora o chapéu partido. Claro que o comboio tem 12 mns de atraso, e o mais engraçado é que a voz da senhora gravada que anuncia o atraso pede compreensão aos senhores passageiros mas não pede desculpa. Montes de gente a descer, montes para subir. Quando enfim consegui subir com a minha malita de 1m10 sobre rodas, fiquei enlatada na entrada do corredor. Já não há espaço para as malas deste lado, é o que estamos a constatar, quando de repente empurra-me um senhor para descer, tenta sem jeito mas stress forçar a porta do comboio acabadinha de fechar, consegue saltar, quando o que me parece ser uma rapariga sobe por cima da minha mala, ainda tive tempo de me colocar de lado, ela, aos gritos, "tenho que descer tenho que descer!". Salta sem pensar, não percebi com que coragem, do comboio em andamento e chegou no asfalto sobre os dois pés ao colo do seu antecessor, também não percebi como. OK!... Respiro.  Não pensei que era possível menos nos filmes. Só me lembro da angústia que tinha quando a minha mãe ia a correr e a subir no comboio em andamento, eu e a minha irmã a chorar, quando ela ia sempre comprar coisas antes do comboio sair da estação  e que nos deixava as duas, dizendo venho já. Pronto, já passou, acabo por me rir com os outros passageiros do sucedido  e procuro o meu lugar entre as pessoas em pés, a minha mala gigante e o corredor apertado. Encontro enfim o meu banco que está obviamente (kabg's story) ocupado. Peço desculpa à senhora explicando que este lugar é meu e ela, desolada, diz-me que o lugar dela também está ocupado por uma rapariga que esta a dormir e que ela não teve coragem de a acordar mas que não havia problema que ela podia ir por outro lugar como aquele que ela esta a apontar. Estando no lugar da janela digo para ela se deixar estar que ia eu para o outro e que se aparecer alguém trocaremos todos. Chego então ao banco livre yeaaah! Ups! Ah não...  no local das pernas (ente o "meu" assento e o banco da frente) consta  uma mala lindíssima as riscas e as cores, rígida. A dona, jovem morena bonita, a dormir de boca aberta. Ok... Vou arrumar a minha no espaço próprio  tiro uma meto a minha e volto a colocar a que tirei por cima da minha. Tento sentar-me com as pernas no corredor, operação interessante quando se mede 1m70. A mocinha acorda e tenta puxar a mala mas sem sucesso, proponho colocar a mala por cima, ela disse que é pequena que não chega lá e ofereço ajuda já que sou alta. Pego na mala com muita energia e por sorte não caio de costas com o chumbo que estava lá dentro. Já está. Estou sentada. Luto para não stressar, começo a atrofiar com calor e muita gente. Demasiado gente. Parece o metro em hora de ponte em Paris numa estação popular só que não posso sair na próxima paragem. Olho para o lado, 2 rapazes em alta conversa. Um deles tem cabelo preto atado em rabo de cavalo, rimel e traço preto nos olhos e unhas pintadas de preto. E penso se o meu filho que me faz Georges Clooney com "what else?" chegasse um dia à casa assim? O que é que ele me queria dizer? Qual seria a sua mensagem, a onda, a panca? E minha cara? Que alguém se lembra de filmar a minha expressão facial em directo live do primeiro impacto! AAAIE! Pedido de desculpa enquanto tento não sufocar de um senhor mal cheiroso, suado e enorme, acabou de me cair em cima. OK.... Rio-me. Está tudo bem. Era para não cair no ridículo dos meus pensamentos. Era um sinal. Levanto-me, vou ao bar.

Claro que estava muita gente não me lembrei que era sexta a noite, claro que apanho engraçadinhos a minha frente na passagem de segurança do embarque no aeroporto e que não consegui manter gargalhadas a ouvir a conversa dde umas: "-Eh! cheira mal foste tu! Ah não que horror! (Isso não me fez rir era só um índice do nível) - Ah é verdade, sabias que podes passar a segurança com a garrafita de água vazia, tens que beber tudo, assim podes guardá-la. Ah e é verdade, soube que nos concertos podes entrar com garrafas sem tampas. -Ah? Prk? Porque com tampas mandam as no palco!"....
Não resisti, não sei se era daquilo que ela estava a dizer, sem tampas não mandam as garrafas? Ou se era da maneira delas de falar, à maneira parvita mas já com idade avançada, de qualquer forma, mais tento resistir a uma gargalhada, mais o disparo é violento. TáU! Gargalhada! Coloco a mão a frente da boca mas os meus olhos riem-se também. E toda gente se ri comigo.
Claro que um senhor da aldeia de fato de treino fiz questão de se armar em HOMEM,  a baixar as calças e a levantar a camisola para provar que não era armado e que era só gordura.
Claro que a rapariga que ficou vermelha e atrapalhada da fila da esquerda não queria descalçar se porque tinha as meias rotas.
Claro que quando chegou a minha vez a máquina avariou.
Claro que para viajar de avião, lembrei-me de ter 2 cintos, só para o style, porque, para passar no controlo de segurança, não tem piada nenhuma
Claro que tive que tirar as botas, que o segurança fez questão de me calçar as meias de plástico de joelhos frente a toda gente e que não gostei nada.
Claro que tinha acetona na mala e que é proibido, vá lá não tinha tesouras como da última vez.
Claro que passeei no aeroporto com a metade do meu cachecol de 2 metros a limpar o chão tipo rabo a trás até um senhor me fazer sinal.
Claro que fui ao Harrod's comer qualquer coisa ao pé de pessoas finas, momento meu de relax de sonho de princesa. Não tive tempo. Chegou alguém a perguntar onde é que eram as portas de embarque.
Claro que fiquei sem bateria quando devia telefonar.
Claro que encontrei o sitio de carregamento da bateria no meio de jovens em ressaca a continuar a festa em altas.
Claro que tive que ir à casa de banho antes de embarcar.
Claro que a casa de banho era no fundo do corredor ao oposto da porta de embarque.
Claro que quando pendurei a minha mala ela entornou-se toda (quem sabe, pode imaginar tudo o que se  pode encontrar na minha mala...) quando estava a "make a pee" o rabo no ar e Alleluiaaaaaaaa não fiz por cima das calças (não é nada agradável).
Claro que me chamaram para o embarque.
Claro que fiz a piadinha "era para saber se conseguiam pronunciar o meu nome..." Mas como não acharam piada nenhuma pedi desculpa porque estava na Casa de Banho.
Claro que a viagem foi brutal com "12" bb's a chorar e as pernas que cabem ainda menos quando abaixam o banco da frente.
Claro que toda gente aplaudiu na aterragem. De uma vez por todas: É o trabalho dele, ele é piloto, não fez  nenhum espectáculo para nós durante a viagem.
Claro que cheguei bem com 200 pessoas impacientes à minha chegada tipo estrela de futebol. :) 
Claro que não que não fizeram a "ola" e não me aclamaram. Não era para mim. Eram os familiares e amigos das passageiros.
Claro que não me lembrei do stress da minha mãe, nem se fala a conduzir e que ela conseguia por o queixo por cima do volante; alias nunca percebi como ela consegue rodeá-lo e claro que tive que pôr a cabeça nas mãos quando ela se passou com o senhor da frente porque bloqueou a saída do parque de estacionamento por se ter esquecido de pagar e que a cancela não levantou mais... E

Welcome to Paris!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Acesso à exposição gratuitamente

Em Lisboa, uma expo sobre a cidade, ela mete-se na fila e a sua frente, um homem e um rapazito. Há aquela ligação especial com as crianças que ela tem, de conversa em convivo, o senhor acabou por lhe oferecer o bilhete com a oferta família 2 adultos e uma criança. Grande mega confusão, porque ela não quis mas perante o número de pessoas a espera tiveram que andar, insistiu para pagar, saiu o dinheiro e meteu-lhe na mão mas ele não aceitou. Acabaram por fazer a visita a três com o menino sempre a segurar lhe a mão. Vitória vitória acabou-se a história. Isto tudo para dizer, mesmo a pagar, não deixe de visitar o:

LISBOA STORY CENTRE – MEMÓRIAS DA CIDADE


O Terreiro do Paço conta agora com uma nova atracção turística, o Lisboa Story Centre – Memórias da Cidade, um centro de interpretação dedicado à história da capital portuguesa, com especial ênfase no terramoto de 1755 e planos do que é hoje a Baixa pombalina.

Promovido pela Associação Turismo de Lisboa e pela Câmara Municipal de Lisboa, o Story Centre é um projecto inédito e uma plataforma de conhecimento, interactividade e tecnologia que, inspirado nos factos e eventos que moldaram Lisboa, convida o visitante a descobrir o património, de forma lúdica e interactiva.

Com especial enfoque nas zonas da Baixa Pombalina e do Terreiro do Paço, este equipamento recria, através de uma “viagem no tempo” com recurso a efeitos especiais e tecnologia, os principais acontecimentos da memória da capital portuguesa. Uma experiência imersiva, representada no teatro, dá ainda a conhecer os acontecimentos que marcaram a catástrofe natural que devastou Lisboa: o Terramoto de 1755. 

Trata-se de um equipamento estruturante na oferta turística e cultural da cidade, que ocupa uma área aproximada de 2.200 metros quadrados, divididos por dois pisos, propiciando uma visita de cerca de 60 minutos, orientada por um audioguia que acompanha todo o percurso. 

No Lisboa Story Centre – Memórias da Cidade é possível conhecer “Lisboa, mitos e realidades”, “Lisboa, cidade global”, “1 de Novembro de 1755, o dia de Todos-os-Santos”, “A Visão de Pombal” e “O Terreiro do Paço”. No Piso 1, a visita é complementada com o núcleo “Lisboa Virtual” que, com recurso a uma maqueta interactiva do centro da cidade de Lisboa, permite visualizar espacialmente os acontecimentos escolhidos previamente num ecrã, acompanhados de imagens, desenhos ou fotos das cenas relatadas. Ainda neste piso, encontra-se o espaço das exposições temporárias. 

Mediante marcação prévia, o Lisboa Story Centre disponibiliza também visitas para grupos escolares.

A saída faz-se por um posto de informação turística onde o visitante pode recolher todos os elementos necessários à preparação e planeamento de uma visita à oferta turístico-cultural de Lisboa.

O Lisboa Story Centre – Memórias da Cidade está aberto todos os dias, das 10h00 às 20h00.

Toma toma toma!

Só para dizer aos familiares e amigos que a franco-argelina que faz rir com o seu inglês esteve a tarde a falar inglês com 2 australianas em Pombal, fiz tradução e conversei bastante, por acaso, estão de ferias no Louriçal e sabem?? Percebemo-nos! Yeaaah!

O fim?

Enquanto se brincou com o 12/12/12, estava quase a chegar o fim do mundo. 10% (sim sim medo) da População acredita, outros se riem ou outros não se importam mas a realidade é que ninguém fica indiferente.
A ideia surgiu do calendário MaYa porque acaba amanhã, 21/12/2012. Melhor rir que... Que o quê? Que a data passa? Hum! Querem ver que toda gente ouviu a vozinha interior a sussurrar "Nunca se sabe...". Se não nos deixa indiferente é porque é uma metáfora da nossa própria finitude. Efectivamente haverá sempre o fim do "nosso" mundo um dia, tudo acaba e tudo é eterno enquanto dura. O medo do desconhecido, segura que hoje estamos bem vivos, penso no fim do mundo, portanto sou vivo. Talvez que renasce outra vontade de viver tomando essa consciência do que realmente acaba. O mundo não pára, cada um com a sua velocidade, cada dia mais cansados, então voltar a ter a dar um pouco de dinâmica à vida: 


Viva a vida enquanto estamos vivos! 




LER AS ACÇÕES.

NADA A DIZER.

LIBERTÉ ÉGALITÉ FRATERNITÉ


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Don't grow up,


Podia ter sido uma publicidade bonita.

 Às compras no supermercado, na caixa com os Ferrero Rochers em destaque a frente dos clientes a espera para pagar, básica técnica de marketing. 

O senhor da frente, bem sucedido, lindo, charmoso, encantador e humilde, vira-se para a senhora de trás, reconhece-a, inicia uma conversa e fica todo atrapalhado. A senhora bonita, simpática e simples, sorri para ele não se sentir incomodado e responde com toda naturalidade. Ora, ele vê os "Ferrero Rochers" e decide oferecer-lhe uma caixa. Frente à educada e sorridente recusa sob-pretexto que não é necessário, tira duas, uma para ele e coloca a outra nas compras dela. Claro que, perante a situação caricata, a senhora não diz nada além de rir até ele aperceber-se que era ele que queria pagar e tira a caixa do monte dela para que a operadora da caixa pudesse registar os bombons de chocolate. Com a nova moda de empacotar tudo ficaram as duas caixas de chocolate para o comprador. Passados uns dias, reencontraram-se por acaso, veio o atrapalhado senhor de "Ferrero Rochers" pedir mil desculpas à dona sem chocolates e que os bombons dourados estavam a espera em casa dele, que foi a melhor surpresa envergonhada e confusa que ele teve, quando se apercebeu que tinha ficado com a vontade frustrada da oferta. A senhora tranquilizou-o, rindo-se e concluindo que fica uma bela anedota. Ele, insatisfeito, disse, passando as mãos na cara, que era o efeito da madama... 


Minha auto-derisão ;)


Negócio lucrativo.


Personal present's Idea to yourself, yes YOU!


Lets yours sons say NO please. Or drugs yourself, it's one of so many solution.

Legal drugs kill far more than illegal drugs -- the difference is that one class is 'legal' and Big Pharma is immune to repercussions.



Are you alive?

Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera.

Joaquim Pessoa


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Pablo Neruda


"É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer,
Ter medo de suas lembranças, 
é proibido não rir dos problemas,
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,
Não transformar sonhos em realidade,
É proibido não demonstrar amor;
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos."


E eu digo:


domingo, 16 de dezembro de 2012

Deixa brilhar a luz.

Há actos falhados, há erros, há acidentes, cometemos escolhas erradas ou somos vítimas das dos outros. Sim, toda gente peca. As acções têm consequências e as mesmas têm que ser pensadas, analisadas, ponderadas para não voltarem a acontecer. Não há necessidade de ter sofrido de fazê-lo ou voltar a fazê-lo  aos outros. Seguir o seu coração e não se conformar, liberta, encontramos luz e paz nem que seja por um instante. Evite assim de dormir de luz acesa porque a escuridão é muita.



OMG.




Aie se fosse uma cómica profissional, tinha aqui matéria "poderosa". Oh my God! Where are you?

Sweet glow


... fairy or witch's light?

sábado, 15 de dezembro de 2012

Não volto a fazê-lo.

Nunca mais gozo com o nariz vermelho (por causa de um pelão encravado da parte interna, que durou  imenso tempo, e que deu bastante matéria para gargalhada. Verdade seja dito, um louro branquinho com o nariz vermelha, fica sempre bem e passa completamente despercebido) do meu amigo Betinho, que gosto muito, muito, muito. Isto porque, claro que paguei logo por isso, não falo das negras de golpes inesperados que são situações perfeitamente normais e rotineiras da minha pessoa, mas sim da mesma situação pela qual passei uma semana numa narina e a semana seguinte na outra. MEA CULPA.


Anima-se!


Apanhei alguém que explica como mudar de calças num comboio.












Conversa de café

-Quase que me apetece fazer um anúncio.
-Então porquê?
-Parece que tenho que baixar-me ao nível de gente estúpida e ridícula.
-Mas como assim? Tu és a pessoa mais compreensível e transparente que conheço. Ainda os mesmos assuntos? Não podes ligar, és linda demais para isso, sabes, os que brilham, incomodam.
-Sim, é triste chegar a este ponto mas se tivesse um bocado menos de bom senso chegaria com um cartaz tipo assim:
Aviso estúpido ou informação ridícula:
 Às queridas namoradas que passaram a seguir a mim, que fiquem descansadas. Que ganhem auto-estima, auto-confiança e um bocado de dignidade, para o vosso bem. Passo a explicar pelo vosso meio preferido (boca feia sem mínima de inteligência), apesar dos meus numerosos esforços, que a minha boa e sincera  palavra frontal não resulta: Se já não estou com quem estava é porque não quero. Se quisesse, ainda estava. Comigo não há dúvidas, não há um dia é o outro não é, não um dia quis, outro não quis e outro quero outra vez. Não, nada disso. Quando digo acabou, é porque acabou de uma vez . Não tenho remorsos, não tenho nostalgia, é tudo bem pensado e ponderado. Portanto, se eles, não vos dão a segurança que pretendem ou que necessitam, não tenho culpa, este trabalho é vosso, da minha parte não têm nada a temer. Ganham juízo e podem evitar de vitimizar-se  (não sabia que era assim tão poderosa) e misturar as coisas, podem também explicar às vossas irmãs a quem pediram o favor (nem sei com que maturidade ou valores o fizeram e ainda menos como elas aceitaram fazê-lo), que obviamente não vou aceitar o pedido de amizade delas, nem às várias tentativas nem com o tempo. Ainda se tivessem coragem de ser vosso, era com todo o gosto.
-Aaaaaaaaaaaaaaaaaah! Brutal! Ahahahahahaha! Isso é que era! Mas lá está, como o teu nível é bastante superior, limitas-te a ter pena delas, até te passares de vez, mas neste dia nem quero estar... Ahahahahaha!

Prenda.

Recebi o seguinte:

"Esta és tu.... ♥♥♥♥

""Sou uma filha da natureza:
quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo,
de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser.
E deixo que você seja. Isso lhe assusta?
Creio que sim. Mas vale a pena.
Mesmo que doa. Dói só no começo."

Clarice Lispector"



Obrigada à minha Poca.


A minha Salamandra

Tenho uma salamandra. É velha e já cá estava há muitooooooooooo tempo mas depois de rejuvenescência pinturalesca facial e de ser instalada pelo meu amigo João está cá como nova. Adaptamo-nos uma a outra. Para já, trato-a bem, acho-a linda e manifesto-lhe o meu agrado. Ela sabe a toda. Deixou-me testá-la, adaptar-me a ela e entendê-la. Tenho que alimentá-la com pinhas e lenha. Tenho que a deixar respirar, abro-lhe a boca em grande. E ela ruge de prazer. Até fico corada de calor. Quando ela exagera, fecho-lhe a boca e fala logo mais baixo. Quando sinto que ela se apaga, dou-lhe logo o que ela precisa. Atiço-a, não quero que ela se apaga. Arrumo todos os manuais de utilização e deixo correr as emoções. Adivinho-a, sinto-a, mete-me o coração em chamas e quando ela manda faíscas tenho que a travar, ela não pode dramatizar. Mas contente, ela dá-me cores azul, laranja, roxo do seu pescoço de inox. Mas chiuuuu... ela não pode saber nem se aperceber de o que faço para ela estar em harmonia comigo...


Frase

"Só o riso, o amor e o prazer merecem revanche. O resto, mais que perda de tempo... É perda de vida."

Chico Xavier

Pub da semana: "life is too short for the wrong job!"


Walt Disney, o carago!

Em vez de nos educar com romantismo, pessoas boazinhas e famílias perfeitas, que o bem ganha sempre, se calhar deveriam encharcar-nos de filmes de terror e de drama para estamos sempre preparados a enfrentar o mundo. É que depois de combater uma bruxa má, aparecem milhares sem fim. É cansativo lutar com os "bons" meios quando há sempre armas novas a surgir. Ora, bruxa, entende-se, como qualquer tipo de situações "obstaculares" emocionais à evolução no tempo nos caminhos verdes e floridos.




sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Sinais.

A lua sempre falou comigo, como o céu e as estrelas. A espreitar da sacada aberta a chuva à luz do reverbere, apreciei as milhares de pingas a representá-la. Lindas, purificadores e brilhantes. Toda contente, respondeu-me com um pingão na ponta a arder do meu cigarro agarrado aos meus lábios. Apagou-o.


Tão simples.

Maravilhosa aliança judeu-muçulmana para a paródia de Miss France,  Adoro. São os únicos cómicos que me fazem rir. Tenho o riso fácil mas fazer-me rir mesmo é difícil.


Alta dignidade.

Saber reconhecer quando não cabemos no espaço do outro. Saber ler os sinais sem desculpá-los. Saber perceber que não somos procurados nem desejados. Saber se retirar educadamente, delicadamente e discretamente. Saber guardar a cara levantada e o sorriso. Saber que doí. Saber aceitar.



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

R E S P E I T O. E dos Grande para o "Nuno Santos".



DECLARAÇÃO HOJE DO NUNO SANTOS NO HOTEL D.PEDRO EM LISBOA SOBRE O PROCESSO DISCIPLINAR QUE LHE FOI MOVIDO PELO CA DA RTP.

"Caiu a máscara ao Presidente da RTP. 

Hoje é já possível afirmar que a conclusão daquele que é conhecido como o caso “Brutosgate” corresponde, afinal, ao meu despedimento.
E esse despedimento, que se segue à minha demissão por razões políticas, estava preparado, de acordo com todas as informações que recolhi, antes da minha ida à Comissão Parlamentar para a Ética, a Cidadania e a Comunicação da Assembleia da República.

No momento em que acaba de ser promovido o meu silenciamento, através de uma suspensão que me impede de frequentar as instalações da RTP e, consequentemente, de trabalhar, convoquei este encontro para explicar à opinião pública algumas questões que se me afiguram essenciais para o entendimento do que verdadeiramente está em causa.

O conselho de administração da RTP entende que passagens das declarações que prestei no Parlamento consubstanciam a prática de grave infracção disciplinar.
… O que devem os cidadãos dizer quando chamados a prestar depoimento perante aquele Órgão de Soberania? A verdade ou o que é “politicamente correcto” com vista à manutenção, a qualquer custo, do seu posto de trabalho?

Daqui lanço um apelo à Senhora Presidente da Assembleia da República para que se pronuncie, não sobre mim ou sobre este caso em concreto, mas sobre a protecção de que devem gozar cidadãos chamados a depor nas Comissões Parlamentares.
Aquilo que cada um de nós diz, nessa condição de cidadãos, perante as Comissões não pode ser condicionado, à partida, com medo das represálias que possamos sofrer por alguém poder ver nessas declarações delito de opinião, algo que há mais de trinta e oito anos está banido da ordem jurídico-constitucional portuguesa.

O conselho de administração da RTP entendeu que a circunstância de ter referido que fui sujeito a um julgamento sumário, consubstancia a prática de grave infracção disciplinar. Poderá, então, o conselho de administração, explicar como se qualifica uma situação em que, antes de qualquer inquérito, me imputou oralmente e por escrito ter autorizado que a PSP visionasse “brutos” na RTP?

E como classificar um “inquérito” – entre aspas – onde o meu testemunho era irrelevante porque os “factos estavam apurados”. Será exagero classifica-lo como julgamento sumário?! E ao fazê-lo com frontalidade deve um trabalhador ser punido pela sua entidade empregadora, por sinal uma empresa pública?!

O conselho de administração da RTP entendeu também, descontextualizando-a, que a explicitação que fiz das razões que conduziram ao meu pedido de demissão do (muito específico e legalmente preservado cargo) de director de informação da RTP seria uma prática de grave infracção disciplinar e de violação do dever de respeito.
Nunca faltei ao respeito ao presidente do conselho de administração da RTP. Disse a verdade, disse o que penso. Fui contundente, mas não sou conhecido por usar meias palavras nem por ser pessoa de meias tintas. Medi cada expressão usada no Parlamento e não alteraria uma única.

Basta, de resto, analisar todo este caso para perceber que a única pessoa desrespeitada fui eu, desde logo por ter sido dado como o exclusivo culpado de uma situação que não criei. Assisti a seguir a um “inquérito” alegadamente para apuramento dos factos, “inquérito” no qual a minha contribuição era, na óptica do conselho de administração da RTP, reconhecidamente desnecessária e mesmo irrelevante.

Acresce a tudo isto o comentário jocoso, feito no estrangeiro – em Angola concretamente, sobre aquilo que o Dr. da Ponte designou como a minha “autoflagelação”.
Todas as minhas tomadas de posição têm-se pautado por uma abordagem ponderada e rigorosa de questões muito sérias que têm a ver com direitos, liberdades e garantias (individuais e coletivas), e nunca – sublinho nunca - pelo recurso à chacota fácil e desdenhosa.

O conselho de administração da RTP entendeu que consubstanciam a prática de grave infracção disciplinar algumas declarações que prestei sobre a ordem de serviço 14, a qual obriga a que a aquisição de conteúdos seja autorizada com setenta e duas horas de antecedência.
A Ordem de Serviço é explícita e as suas consequências perfeitamente conhecidas, sendo a principal o condicionamento ilegítimo das decisões editoriais. Ou seja, o conselho de administração quer, por via administrativa, conhecer passos fundamentais do processo editorial e reservar para si a palavra final.

O conselho de administração repescou, ainda, a questão dos “brutos” que já dera por encerrada por saber que não tinha nem podia ter ressonância disciplinar.
É cristalino que o conselho de administração da RTP não tem competência disciplinar em matéria deontológica dos jornalistas, devendo qualquer intervenção nesta área ser vista como abusiva - por violadora - de uma instância própria de uma classe profissional. O alcance da intervenção da administração da RTP nesta área era e foi meramente a de liquidar de forma sumária a minha imagem profissional na praça pública.

Agora, com o argumento absurdo de que neguei a prática dos factos (virtuais) relacionados com uma (pretensa) autorização por mim (supostamente) dada para que elementos da PSP visionassem imagens não editadas da manifestação e que, por consequência, devo ser responsabilizado por esses (supostos) actos, o conselho de administração da RTP vem dar o dito por não dito e, simultaneamente, incorrer no patético de recuperar uma matéria onde não pode intervir e relativamente à qual já recuara.

O conselho de administração da RTP suspendeu-me de toda a minha actividade profissional de jornalista e impediu-me de trabalhar, prejudicando-me gravemente quer em termos profissionais, que em termos pessoais.
E porquê? Porque – segundo referiu – as funções de direcção que eu exercia e a minha posição hierárquica elevada potenciam o meu, e passo a citar, “ascendente natural” sobre os meus “anteriores subordinados” e essa circunstância poderia prejudicar o andamento das diligências preparatórias da nota de culpa.

Não ter condições para trabalhar como director de informação, como aliás o presidente do conselho de administração reconheceu nas suas declarações prestadas na Assembleia da República, não implica que não se possa usufruir do direito a ver distribuídas outras tarefas.

O meu percurso de 13 anos ao serviço da Rádio e da Televisão Públicas, mais de metade com funções de Alta Direcção, mereciam outro cuidado. Será difícil pedir isso a gestores que vêm de áreas estranhas aos media mas, se alguém não está preparado para esta tarefa, deveria ter pensado antes.

Guardei para o fim aquilo que está no cerne deste despedimento anunciado pelo conselho de administração da RTP, concretamente as alusões que fiz perante a Comissão Parlamentar relativas ao meu saneamento político. Se dúvidas subsistissem que esse saneamento existiu, elas foram dissipadas com a decisão ilegal e ilegítima do conselho de administração da RTP que teve a cobertura e intervenção do poder político e isso deve merecer uma reflexão profunda a todos nós, jornalistas, e à sociedade portuguesa, em geral.
Ninguém poderá ficar indiferente à forma como se voltam a silenciar vozes defensoras da liberdade de informação, nomeadamente na RTP, desta vez, e como afirmei no Parlamento, e reafirmo aqui “travestidas de decisões de gestão ou de matérias “internas”.

Não há ilusão possível: o direito à liberdade de expressão, tal como a privacidade da correspondência e o direito ao trabalho são valores constitucionais. O conselho de administração da RTP entendeu violá-los de maneira grosseira através da recuperação, desde logo, do inexistente delito de opinião.
Quero terminar dizendo que, muito embora a conclusão do processo disciplinar já esteja feita, como feita estava, a priori, a do pseudo-inquérito que a RTP conduziu ad hominem antes dele, irei até às últimas instâncias, profissionais e deontológicas, na defesa do meu bom nome e da minha honra.
Nesse sentido:
Dei instruções aos meus advogados para que utilizem todos os recursos previstos na lei não só para me defender mas também para confrontar o conselho de administração da RTP com a justiça. Este abuso de autoridade é uma ameaça para todos no interior da empresa e precisa ser travado.

Tenho consciência que estou a servir de exemplo, como outros serviram no passado, para que o poder político mostre à classe jornalística como se deve “comportar”.
Mas, por ter essa consciência, também sinto a responsabilidade acrescida de não vacilar. E não vacilarei!

Como disse no meu primeiro comunicado, tempos conturbados aguardam a RTP com a anunciada aquisição de parte do seu capital com o figurino que tem sido divulgado. Cabe aqui uma palavra especial de apoio a todos os trabalhadores da Televisão e da Rádio Públicas nesta hora tão incerta. O clima de medo instalado faz com que muitos estejam em silêncio. Que ninguém se iluda. Depois de mim outros serão atingidos.

É certo que a cortina de fumo que o meu caso acaba por constituir tem indiscutível oportunidade para desviar as atenções da opinião pública, mas sei, também que esta está hoje e mais do que nunca, até pela situação que o país atravessa, atenta e pronta para intervir."