«Não foi nada fácil encontrar estes jovens, o que quer dizer que não há muitos jovens qualificados a emigrar para França. Mas continuamos a ter uma emigração desqualificada muito grande» para este país.
Esta é a principal conclusão retirada pelo sociólogo João Teixeira Lopes no estudo Novos Emigrantes Para França: a geração Europa, que é apresentado amanhã na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto.
A nova vaga de emigração para França, refere João Teixeira Lopes, em declarações ao Canal Superior, «nada tem a ver com as vagas anteriores da emigração, desde logo, porque são maioritariamente jovens mulheres a fazê-lo». Planear a viagem «com grande cuidado», processar «muita informação antes de ir» e ter emprego assegurado são outras das características que diferem de vagas de emigração anteriores, acrescenta o sociólogo.
A maioria dos jovens inquiridos ou entrevistados para o estuda são da área da Saúde, sobretudo Enfermagem e Fisioterapia, e também de Engenharia, Informática, Finanças e Gestão.
São jovens que «não se integram na sociedade francesa nem nas comunidades portuguesas que existem em França, mantêm os seus amigos de cá, viajam muito, têm práticas culturais cosmopolitas, poupam pouco e valorizam os aspetos de trabalho mais ligados à satisfação, autonomia, qualidade», acrescenta.
Curioso, frisa João Teixeira Lopes, é que «a maior parte não tem origens sociais depauperadas, portanto, são estáveis em termos de recursos. Além disso, não há tradição de emigração na família e há poucos pais que estão desempregados».
«Jovens que em Portugal não conseguem deixar de ser jovens»
E a possibilidade de ter uma carreira, «a questão de terem uma casa e de constituírem família» são as três principais razões que levam os jovens qualificados portugueses a emigrar para França, explica João Teixeira Lopes, sublinhando que estes «são jovens que em Portugal não conseguem deixar de ser jovens».
Em termos de tendências, o sociólogo conclui que «o tipo de relação que estes jovens mantêm com Portugal é bastante diferente, não se podendo esperar destes imigrantes remessas, o que tem efeito nas contas públicas portuguesas». E da nova vaga de emigrantes qualificados para França, adiciona, espera-se que «muitos vão continuar» naquele país.
O trabalho de João Teixeira Lopes integra o projeto Brain Drain and Academic Mobility from Portugal to Europe - coordenado por Rui Gomes da Universidade do Porto e financiado pela FCT -, que vai analisar o fenómeno em outros países como Inglaterra, Holanda, Países Nórdicos e Alemanha.
POR ANGÉLICA PRIETO 08/10/2013 17:20
ESTE ARTIGO FOI ESCRITO AO ABRIGO DO NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO
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